Crise Climática Acelerada pela Mineração de Minerais da Transição Energética no Brasil
O aumento da demanda por minerais essenciais à transição energética no Brasil tem gerado consequências alarmantes para o clima em estados como Pará, Bahia, Goiás e Minas Gerais. Um estudo inédito, elaborado pelo Observatório da Mineração com dados da consultoria TMP, conclui que a extração desses minerais pode provocar "mudanças consideráveis nos padrões climáticos em curto prazo (até 2030)".
Dados do Estudo
O relatório, divulgado nesta quarta-feira (23), revela que a exploração intensiva de minas, principalmente para a produção de lítio, utilizado em baterias de veículos elétricos, está exacerbando eventos climáticos extremos. Alterações como aumento das temperaturas, períodos de seca prolongados e chuvas fora de época tornam-se mais prováveis com a expansão da mineração.
A indígena Cleonice Pankararu, que vive na aldeia Cinta Vermelha Jundiba, em Araçuaí (MG), expressou sua preocupação com os impactos da mineração: “Uma empresa de mineração de lítio chegou no Vale do Jequitinhonha e derrubou mil árvores. O impacto para a qualidade do ar e da água é imenso. O Rio Araçuaí e o Rio Jequitinhonha estão quase desaparecendo”.
Impactos Ambientais e Sociais
A pesquisa aponta que a intensificação da mineração afeta diretamente a segurança hídrica das regiões. “A extensão dos rios já diminuiu em grande parte de Minas Gerais, Goiás e Bahia”, aponta o estudo. Além disso, o uso excessivo de água por atividades mineradoras tem gerado uma competição acirrada por recursos hídricos, agravando a escassez.
O especialista Maurício Angelo, do Observatório da Mineração, alerta: “As emissões de gases da mineração para a transição energética serão enormes. Estamos trocando um problema por outro”. Ele adverte que as obras necessárias para a mineração geralmente têm impactos sociais e ambientais profundos. “Uma mina sempre vem acompanhada por gigantescas obras de infraestrutura”.
O Vale do Lítio e Suas Consequências
Minas Gerais, que abriga 80% das reservas nacionais de lítio, traz a notoriedade do Vale do Jequitinhonha, onde a mineração começou em 2017. Cleonice Pankararu relata que a saúde da população tem sido afetada: “Antes do lítio, não tínhamos tantos problemas. Agora, gripamos constantemente e temos problemas gastrointestinais”.
O estudo estimou que a produção de lítio deve aumentar cinco vezes até 2028, atraindo US$ 6 bilhões em investimentos. Contudo, esse crescimento pode discutir a questão da qualidade de vida nas comunidades locais, afetadas pela extração.
O Papel do Pará
O Estado do Pará, sede da COP30, é responsável por cerca de 90% da produção de alumínio no Brasil e apresenta um alto risco de eventos climáticos extremos. A corrida por minerais críticos na Amazônia, segundo Gabriela Sarmet, está acelerando a crise climática.
Recomendações para Mitigar Impactos
O estudo sugere uma série de recomendações, incluindo um gerenciamento proativo dos impactos adversos da mineração, visando um sistema político que permita supervisão eficaz. “Não é razoável que o Estado se comporte como sócio das mineradoras”, afirma Maurício Angelo.
Futuro Incerto
Enquanto o avanço da mineração continua a desafiar modos de vida tradicionais, Cleonice Pankararu teme pelo futuro: “Os licenciamentos ambientais em Minas estão soltos demais. Temos um Congresso que não apoia os povos indígenas nem o meio ambiente. E aí a mineração avança”, conclui.
Esta análise sublinha a importância de uma abordagem equilibrada que considere não apenas a exploração mineral, mas também a necessidade de proteger povos e ecossistemas em uma era de transição energética.
Fotos: Cleonice Pankararu/Arquivo Pessoal
Busca por minerais da transição energética acelera crise climática
Fonte: Agencia Brasil.
Meio Ambiente