Petrobras Pode Liderar a Transição Energética, Apontam Estudos da UFRJ e Observatório do Clima
Brasília, 16 de outubro de 2023 — Dois estudos publicados nesta terça-feira (16) afirmam que a Petrobras tem potencial para mudar seu foco atual em combustíveis fósseis e se tornar líder na transição energética do Brasil. As pesquisas são fruto do trabalho de economistas da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e do Observatório do Clima e oferecem um roteiro para que a estatal se desvincule do petróleo, investindo em energias limpas.
Os estudos surgem em um contexto no qual a produção de óleo e gás no Brasil está em expansão, com o petróleo ultrapassando a soja como principal produto de exportação do país, representando 13% das vendas externas.Os autores alertam para o risco de o Brasil se tornar vulnerável à “bolha de carbono”, o que ocorreria se a demanda global por combustíveis fósseis despencar a partir da próxima década.
O documento intitulado Questões-Chave e Alternativas para a Descarbonização do Portfólio de Investimentos da Petrobras é assinado pelos economistas Carlos Eduardo Young e Helder Queiroz, da UFRJ. Ele serve como base para a elaboração do segundo estudo, A Petrobras de que Precisamos, que envolve a colaboração de 30 organizações do Grupo de Trabalho em Energia do Observatório do Clima.
Ambos os documentos defendem que a Petrobras deve diversificar seu portfólio e alinhar seus investimentos às metas do Acordo de Paris e do Plano Clima, que visam a neutralidade das emissões de gases de efeito estufa até 2050. De acordo com as análises, dos US$ 111 bilhões planejados para negócios da estatal entre 2025 e 2029, apenas US$ 9,1 bilhões estão destinados a energias de baixo carbono. Em resposta, a Petrobras informa que o montante destinado a essas iniciativas é, na verdade, de US$ 16,3 bilhões, considerando investimentos em tecnologias inovadoras.
De acordo com os pesquisadores da UFRJ, a dependência da receita do petróleo expõe o Brasil a riscos econômicos devido à volatilidade dos preços e à finitude do recurso. Young ressalta que a Petrobras não pode ser vista meramente como uma solução para os problemas fiscais do país, enquanto Queiroz complementa que a mineração de combustíveis fósseis deve ser tratada com cautela, dado seu caráter esgotável.
Propostas de Transformação
O estudo do Observatório do Clima propõe um conjunto de ações para a transformação da Petrobras, que incluem:
- Aumento de investimentos em biocombustíveis e hidrogênio de baixo carbono.
- Retomada de atuação na distribuição e terminais de recarga para consumidores finais.
- Foco em energias de baixo carbono, como hidrogênio verde e combustíveis sustentáveis de aviação.
- Alinhamento dos planos da Petrobras com os objetivos mais ambiciosos do Acordo de Paris.
- Relocação de recursos atualmente destinados a refinarias para a ampliação de novas fontes de energia.
Além disso, os pesquisadores sugerem o congelamento da expansão da extração de combustíveis fósseis em novas áreas, como a Foz do Amazonas, e recomendam a concentração da produção nas áreas já em operação, como o pré-sal.
Configuração Futurista
Embora reconheça a necessidade de petróleo a curto prazo, Young argumenta que o futuro da Petrobras não deve se basear na expansão da commodity para exportação. Ele enfatiza a importância de uma Petrobras pública que contribua para o desenvolvimento nacional, mas ressalta a relevância de investimentos em transição energética.
A Petrobras, em resposta às análises, reafirma seu comprometimento com a transição energética, prevendo um aumento significativo no investimento em projetos de baixo carbono e inovações tecnológicas. A companhia também anunciou um fundo de descarbonização dedicado a identificar oportunidades de mitigação dos gases de efeito estufa.
Esses novos posicionamentos e investimentos renovados surgem em meio à crescente pressão por práticas mais sustentáveis no setor energético brasileiro, indicando que a Petrobras pode estar em um ponto de inflexão quanto ao seu papel no cenário energético do futuro.
Imagem: Agência Brasil
Estudos apontam caminho para descarbonizar a Petrobras
Fonte: Agencia Brasil.
Meio Ambiente