Estudos Genéticos Revelam Potencial Sustentável do Pirarucu e do Filhote na Amazônia
O pirarucu (Arapaima gigas) e o filhote (Brachyplatystoma filamentosum) são duas espécies emblemáticas da Amazônia, reconhecidas tanto por sua importância na gastronomia quanto pelos desafios na reprodução em ambientes de piscicultura. Recentemente, essas espécies foram alvo de um estudo pioneiro conduzido pela Universidade Federal do Pará (UFPA), que conseguiu decifrar seus conjuntos de DNA.
Sidney Santos, líder da pesquisa no Laboratório de Genética Humana e Médica do Instituto de Ciências Biológicas da UFPA, destacou que a iniciativa surgiu em resposta à crescente exploração predatória dessas espécies, em virtude da alta demanda. “A ideia central é, se você de forma equilibrada e direcionada conseguir conhecimento suficiente para produzir esses peixes do jeito mais sustentável possível, você pode diminuir a demanda da natureza”, explicou Santos.
A pesquisa teve como base a análise do DNA, que é a molécula responsável por armazenar informações sobre a saúde, características físicas e ancestralidade. Para o estudo, foram coletadas amostras de mais de 100 peixes de ambas as espécies, utilizando um sequenciador genético para decifrar a sequência de nucleotídeos. “Cada ordem traz informações sobre um ser vivo, que juntas formam o genoma daquela espécie”, acrescentou Santos.
Rastreabilidade e Conservação
Compreender o genoma permite não apenas reproduzir essas espécies em ambiente controlado, mas também aprimorar a rastreabilidade genética. Igor Hamoy, diretor do Instituto Sócio Ambiental e dos Recursos Hídricos da Universidade Federal Rural da Amazônia, ressaltou que a pesquisa possibilita verificar a origem dos peixes comercializados, como um pirarucu vendido em Boston. “Com a história que está dentro do genoma do pirarucu, por exemplo, eu consigo descobrir se aquele peixe foi oriundo da Amazônia”, destacou.
As informações coletadas serão registradas em um banco genético público, que pode servir de base para futuras pesquisas sobre estas e outras espécies. Essa rastreabilidade é crucial para coibir o comércio ilegal e proteger a biodiversidade da região.
Avanços na Aquicultura e Políticas Públicas
O estudo também trouxe avanços sobre os principais obstáculos enfrentados na piscicultura, como a indução do hormônio sexual e o desenvolvimento de nutrição adequada para ambientes artificiais. “A pesquisa genética contribui para aumentar nosso conhecimento sobre a biodiversidade brasileira e também contribui para a implementação de políticas públicas de conservação”, afirmou Rita Mesquita, secretária nacional de Biodiversidade, Florestas e Direitos Animais do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima.
Essas políticas incluem ações planejadas até 2030, conforme previsto na Estratégia e Plano de Ação Nacionais para a Biodiversidade (Epanb). Entre as ações citadas está a elaboração da Lista Nacional de Espécies Ameaçadas de Extinção e o Plano Nacional de Recuperação da Vegetação Nativa (Planaveg).
Desafios e Futuro da Pesquisa
Apesar dos avanços na pesquisa genética, o pesquisador Sidney Santos alertou sobre os desafios enfrentados na Amazônia, como o “custo Amazônia”, que envolve questões logísticas e operacionais. “O parque tecnológico que a UFPA tem aqui é um dos poucos a conseguir realizar essa decifração”, disse ele, ressaltando a necessidade de financiamento para assegurar a continuidade das pesquisas.
Rita Mesquita corroborou a importância da ciência na interação entre humanos e espécies de diferentes biomas, enfatizando a necessidade de práticas sustentáveis de manejo. “Se temos formas de manejar de maneira sustentável, podemos estabelecer uma relação onde as espécies sejam manejadas com princípios de baixo impacto e em áreas protegidas.”

Divulgação/WWF Brasil
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Sidney Santos/Arquivo Pessoal
Pesquisa inédita com genoma protege espécies de peixes da Amazônia
Fonte: Agencia Brasil.
Meio Ambiente