Deslizamento em Juiz de Fora: Tragédia deixa 28 mortos e dezenas de desabrigados
Por Agência Brasil
Na noite de segunda-feira (23), o morador do Parque Jardim Burnier, Jorge Rocha, foi surpreendido por gritos e batidas na porta, enquanto fortes chuvas atingiam a Zona da Mata mineira. Ao sair, ele se deparou com a devastação causada por um deslizamento de terra que destruiu um conjunto de casas nas proximidades de sua residência, localizada a apenas 20 metros do epicentro da tragédia.
“Era um desespero. Um monte de gente correndo. Falaram que era para todo mundo sair de casa. Eu vim para fora e aí vi o desastre”, conta Jorge, que presenciou a saída de um vizinho dos escombros, sujo de barro e em busca de sua família. Infelizmente, na manhã seguinte, o Corpo de Bombeiros encontrou os corpos da mulher e do filho do vizinho.
A enfermeira Débora Pena, que também mora nas proximidades, relembra o momento em que o morro começou a ceder. “Eu moro aqui desde que era criança. Nunca tinha visto nada como isso”, relata. Débora, que correu para ajudar a avó, enfatizou a dificuldade em processar o que aconteceu. “A gente quer tirar pelo menos os corpos para dar um enterro digno”, diz.
O deslizamento deixou um saldo trágico: pelo menos 28 mortes confirmadas em Juiz de Fora e Ubá. Além das fatalidades, o fenômeno provocou transbordamento do Rio Paraibuna, inundações, soterramentos e áreas ilhadas, resultando em bairros isolados e mais de 40 chamadas de emergência por riscos estruturais. A Defesa Civil estima que 440 pessoas estejam desabrigadas, recebendo acolhimento provisório.
Diante da gravidade da situação, o governo federal reconheceu oficialmente o estado de calamidade em Juiz de Fora, o que facilitará o envio de recursos e assistência imediata às áreas afetadas.
O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) também emitiu avisos de chuvas intensas para os próximos dias, alertando para a possibilidade de novas inundações e alagamentos.
O trabalho de resgate continua intenso durante a noite nos locais mais afetados. O subcomandante do 4º Batalhão de Bombeiros Militar, Demétrios Bastos Goulart, informou que o efetivo foi ampliado, contando agora com 25 militares e um cão farejador. “Vamos manter a área isolada, porque há novos riscos de deslizamentos, principalmente nas encostas”, adicionou Goulart, assegurando que as operações seguem sendo realizadas com equipamentos adequados e revezamento de equipes.
As autoridades seguem mobilizadas para auxiliar a população e restabelecer a normalidade na região devastada pela tragédia.
Moradores relatam desespero após mortes em Juiz de Fora
Fonte: Agencia Brasil.
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