Pesquisa Mapeia Entidades Quilombolas e Suas Inciativas Culturais
Uma pesquisa realizada pelo Instituto Sumaúma trouxe à luz a atuação de entidades quilombolas no Brasil, que têm se articulado em práticas culturais e comunicacionais que refletem suas lutas por justiça climática, racial e territorial. O estudo revela um alinhamento considerável entre essas comunidades e as agendas sociais contemporâneas.
O Instituto Sumaúma, reconhecido por seu trabalho em pesquisas de impacto social, tem se dedicado a apoiar a população negra, indígena e periférica no acesso à educação e aos direitos. De acordo com Juliane Sousa, pesquisadora quilombola e consultora do projeto, a pesquisa é crucial para reconhecer e visibilizar ações de comunicação e cultura desenvolvidas consideravelmente por essas comunidades ao longo do tempo.
“Ao identificar e enumerar essas atividades, a pesquisa auxilia no acesso a editais e ajuda organizações que trabalham com territórios quilombolas a entender que essas ações existem, permitindo que pensem estrategicamente em como apoiá-las”, destacou Juliane. Ela também ressaltou que os estudos sobre a comunidade quilombola são escassos, um fator que contribui para a falta de direitos assegurados a essa população. O primeiro Censo do IBGE que identificou especificamente as localidades e populações quilombolas foi realizado apenas em 2022.
“Isso é muito grave, porque é uma população que existe neste território desde que ele foi invadido, há mais de 500 anos. A falta de dados implica na falta de acesso a direitos básicos para essa população, como educação, saúde e alimentação”, acrescentou.
Metodologia e Resultados da Pesquisa
Para realizar a pesquisa, foram consultados 53 agentes de comunicação quilombola através de um formulário online e realizados grupos focais com oito lideranças da comunidade. Os dados revelaram que as iniciativas de comunicação quilombola incluem a preservação da memória das comunidades, com 81% dos agentes registrando comemorações locais, 73,6% dedicados ao plantio e à colheita de alimentos, 68% ao artesanato e 64,2% às contações de história.
Além disso, a pesquisa avaliou as pautas debatidas nas práticas culturais e comunicacionais, destacando temas como racismo (87%), políticas públicas (85%), educação (77,4%) e problemas ambientais (70%). Os dados também evidenciam a precariedade na produção de conteúdo digital nas comunidades rurais, que enfrentam desafios como a falta de internet e limitações financeiras. Mais de 40% dos entrevistados afirmaram não receber renda pelas atividades culturais e comunicacionais que desenvolvem.
Mapa Interativo e Protagonismo Quilombola
Para mitigar a falta de visibilidade e articulação, o Instituto Sumaúma lançou um mapa interativo de acesso aberto, que permite filtrar comunidades quilombolas por cidade, estado e país. De acordo com Taís Oliveira, fundadora e diretora executiva do Sumaúma, a plataforma facilita o contato com comunicadores e agentes culturais quilombolas, visando promover diálogos e a comercialização de produtos e serviços dessas comunidades.
A Rede Kalunga de Comunicação, um dos coletivos consultados na pesquisa, tem se destacado por contar a história dos quilombolas da Chapada dos Veadeiros, um dos maiores territórios quilombolas do Brasil. Daniella Teles, cofundadora da rede, enfatiza a importância de valorizar o conhecimento e a cultura local para fortalecer a autoestima da comunidade. “Agora elas ocupam seus espaços de direito”, afirmou Daniella, referindo-se ao processo de resgate da identidade quilombola dentro de um contexto de exclusão social.
O próximo passo do coletivo é o lançamento de um site que visa disseminar informações sobre a comunidade, criando uma comunicação acessível, educativa e contínua para que suas histórias não sejam esquecidas.
Este texto foi elaborado por um estagiário da Agência Brasil sob supervisão de Odair Braz Junior.
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Fonte: Agencia Brasil.
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