Manifestantes Reforçam Luta pela Preservação da Serrinha do Paranoá em Brasília
Neste domingo (15), diversos grupos, incluindo ambientalistas, acadêmicos e cidadãos preocupados, realizaram um protesto em Brasília em defesa da Serrinha do Paranoá, uma área ambiental de grande importância ecológica, hídrica e climática para o Distrito Federal. O ato ocorreu no Eixo Rodoviário Sul, que abriga o Eixão do Lazer aos domingos.
A Serrinha do Paranoá, localizada entre as regiões administrativas do Varjão e do Paranoá, é uma vasta extensão de cerrado nativo que contém áreas ambientalmente sensíveis, como zonas de recarga hídrica e escarpas ricas em nascentes. A região abriga ao menos 119 minas d’água que são vitais para o abastecimento do Lago Paranoá, um crucial manancial de água que atende parte da população local.
O governo do Distrito Federal reconhece a relevância da Serrinha e anunciou em janeiro de 2023 um projeto para plantar 22 mil mudas de espécies nativas na região, como parte de um esforço para recuperar a vegetação e proteger as nascentes. Entretanto, a situação contrasta com a recente aprovação da Câmara Legislativa e a sanção pelo governador Ibaneis Rocha de um projeto que permite ao GDF contratar até R$ 6,6 bilhões em empréstimos emergenciais, utilizando imóveis públicos como garantia. Entre esses imóveis, encontra-se uma área pública de 716 hectares na Serrinha, conhecida como Gleba A, avaliada em R$ 2,2 bilhões.
O Banco de Brasília (BRB) enfrenta uma grave crise de confiança e liquidez, agravada por suspeitas de fraude na compra de créditos sob investigação da Polícia Federal. O banqueiro Daniel Vorcaro, preso por suspeitas de crimes financeiros, gerou preocupação sobre a sustentabilidade das ações administrativas do BRB.
Vozes da Protesta
O ato de domingo viu a participação ativa de Lúcia Mendes, presidentes da Associação Preserva Serrinha. Ela argumentou que a região não suporta a construção de condomínios, enfatizando que “a impermeabilização da área colocará em risco todas as nascentes que já abastecem parte significativa da população”.
Mendes destacou que, em 2015, foi realizado um mapeamento das nascentes na Serrinha, evidenciando que a construção poderia ser desastrosa. Os moradores já demandam a regularização das chácaras existentes na área há anos, mas se opõem ao que consideram um processo de urbanização que poderia comprometer o ambiente.
“Esta é uma área de recarga. É como uma caixa d’água que acumula a água das chuvas e fornece às nascentes. Estudos sinalizam a importância da preservação, mas o governo ignora”, conclui Mendes, descrevendo um conflito entre interesses imobiliários e a proteção ambiental.
César Victor do Espírito Santo, membro do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama), também está ao lado dos manifestantes. Ele mencionou que a aprovação de uma moção de apoio à preservação da Serrinha demonstra que a preocupação com a área é abrangente e não se restringe aos moradores do DF, qualificando a Gleba A como um ativo ambiental e social de valor muito maior do que sua destinação para o mercado imobiliário.
Intervenções e Críticas
Paulo Moutinho, doutor em ecologia do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia, levantou preocupações sobre como o projeto do GDF transfere o custo ambiental e social para a população do DF enquanto tenta capitalizar o BRB. Ele adverte que a venda de áreas essenciais para a conservação hídrica é um erro grave, uma vez que a escassez de chuvas afeta diretamente a região.
O governador Ibaneis Rocha, por sua vez, tentou minimizar as críticas, afirmando que não existem nascentes na área da Serrinha incluída no projeto de socorro financeiro ao BRB. Ele assegurou que as informações necessárias estão sendo prestadas aos órgãos de fiscalização, destacando que o projeto foi elaborado de maneira cuidadosa e que seu governo tem promovido medidas de proteção ambiental significativas.
A profundidade do debate sobre o futuro da Serrinha do Paranoá reflete as complexidades entre os interesses ambientais e as necessidades financeiras do governo, apresentando um cenário que demanda atenção tanto das esferas públicas quanto da sociedade civil.
Protesto pede retirada de área ambiental do projeto de socorro ao BRB
Fonte: Agencia Brasil.
Meio Ambiente