Estudantes Ocupam Sede da Secretaria da Educação em São Paulo
Em um ato de protesto contra as políticas educacionais do governo de São Paulo, estudantes ocuparam a sede da Secretaria Estadual da Educação, localizada na Praça da República, no centro da capital paulista, na tarde desta quarta-feira (25). A mobilização, organizada pela União Paulista dos Estudantes Secundaristas (UPES) com o apoio da União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (UBES), da União Nacional dos Estudantes (UNE) e da União Estadual dos Estudantes de São Paulo (UEE-SP), culminou em uma ação policial que resultou na retirada dos manifestantes durante a madrugada.
De acordo com a Polícia Militar, a desocupação foi realizada após tentativas frustradas de negociação e envolveu o uso de spray de pimenta. A polícia informou que, ao todo, 21 pessoas, incluindo menores de idade, estavam presentes no local. Os manifestantes foram levados ao 2º Distrito Policial, em Bom Retiro, onde foram ouvidos e depois liberados, sem relatos de feridos.
Julia Monteiro, presidenta da UPES, expressou sua indignação durante uma transmissão ao vivo no local, caracterizando a violência da desocupação como “extrema e brutal”. “Estamos aqui hoje ocupando a secretaria e lutando por melhores condições de ensino”, frisou Monteiro, destacando a importância da educação como um pilar fundamental para o desenvolvimento social.
Os estudantes exigem principalmente a recomposição orçamentária para a educação pública, alegando que, a partir de 2024, houve uma redução no percentual mínimo de investimento, resultando em uma retirada estimada de R$ 11,3 bilhões do orçamento estadual destinado à educação. Além disso, os manifestantes solicitaram uma reunião com o secretário de Educação, Renato Feder, e protestaram contra a implementação das escolas cívico-militares, um projeto do governo que tem gerado controvérsia e está sendo objeto de discussão judicial.
As reivindicações também incluem o combate à “plataformização” do ensino, a reintrodução do ensino noturno e uma reorganização escolar que respeite as realidades das comunidades atendidas.
Em resposta à ocupação, a Secretaria de Educação do Estado de São Paulo afirmou que está comprometida com o diálogo e que, desde o dia 19 de outubro, o secretário esperava representantes da UPES para uma reunião. Segundo a pasta, um encontro foi previamente agendado, mas cancelado a pedido do grupo. Uma nova audiência foi marcada para a próxima sexta-feira (27), porém, a secretaria alega que os estudantes optaram pela ocupação em vez de dialogar.
Ainda em nota, a Secretaria informou que as escolas cívico-militares representam apenas 100 unidades dentro de um total de mais de 5,3 mil escolas estaduais e que a implantação desse modelo foi realizada com base em consultas públicas nas comunidades escolares. A secretaria ressaltou que está realizando um investimento recorde em infraestrutura, com R$ 3,1 bilhões alocados para 6.764 obras entre 2023 e 2026, aumentando em 3,7 vezes o valor comparado à gestão anterior.
Estudantes ocupam sede da Secretaria de Educação do estado de SP
Fonte: Agencia Brasil.
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