Bióloga Maria Teresa Piedade é premiada com o Prêmio Almirante Álvaro Alberto
A bióloga Maria Teresa Fernandez Piedade, do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), foi anunciada como a vencedora do Prêmio Almirante Álvaro Alberto de 2023, a mais alta honraria da ciência brasileira. O anúncio foi feito na última sexta-feira (24) pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), em parceria com a Marinha do Brasil.
Uma trajetória de quase 50 anos na pesquisa amazônica
Criado em 1981, o Prêmio Almirante Álvaro Alberto é atribuído anualmente a pesquisadores que se destacam por suas obras científicas ou tecnológicas significativas. A cerimônia de entrega da premiação está agendada para o dia 7 de maio, no Rio de Janeiro, onde Maria Teresa receberá um diploma, uma medalha e um prêmio em dinheiro no valor de R$ 200 mil.
Maria Teresa, que leciona nos Programas de Pós-Graduação em Ecologia e Botânica do Inpa e lidera o grupo de pesquisa “Ecologia, monitoramento e uso sustentável de áreas úmidas (Maua)”, iniciou suas atividades de pesquisa na Amazônia há quase cinco décadas. Desde a época de seus estudos na Universidade Federal de São Carlos, em São Paulo, ela sonhava em trabalhar na região amazônica.
Foco nas interações hídricas
Após uma primeira experiência em ambientes de terra firme, a bióloga decidiu se aprofundar no estudo dos rios, tendo feito sua primeira viagem ao Rio Negro, o que a motivou a focar sua pesquisa em ambientes aquáticos.
Maria Teresa possui formação em mestrado e doutorado pelo Inpa, onde se tornou pesquisadora efetiva em 1988. Além de suas atividades no Inpa, a bióloga também lecionou como professora convidada em diversas universidades e instituições de pesquisa, participando de iniciativas internacionais voltadas à conservação da Amazônia, como o Conselho Científico Internacional do Programa de Grande Escala da Biosfera-Atmosfera da Amazônia e parcerias com a Sociedade Max-Planck.
Atualmente, seu principal objeto de pesquisa trata dos efeitos da variação nos níveis de água durante as cheias e vazantes dos rios. “A água sobe e desce ao longo do ano, transformando os sistemas de uma maneira única e influenciando as cadeias alimentares e os estoques de carbono da região”, explica a pesquisadora.
Impactos das obras humanas
Além de estudar as dinâmicas naturais, Maria Teresa também investiga os impactos da ação humana nos ecossistemas aquáticos, como a construção de barragens. Em referência à Hidrelétrica de Balbina, localizada no Rio Uatumã, ela relata que “em 30 anos após sua construção, mais de 125 quilômetros de áreas sofreram com a morte gradual das florestas, devido à falta de regularidade no suprimento de água”.
A pesquisadora salienta a relevância dos cursos d’água da Amazônia para o Brasil, alertando sobre a urgência em preservar esses ambientes diante da degradação acelerada causada por ações humanas. “Apenas os grandes rios como Amazonas, Solimões e Rio Negro, em um conjunto de várzeas e igapós, cobrem 750 mil km². Os pequenos igarapés somam mais de 1 milhão de km²”, detalha.
A importância das pesquisas
A bióloga enfatiza que a sociedade brasileira depende do equilíbrio hídrico da Amazônia, onde os rios e a floresta interagem para formar um sistema de transporte de água fundamental, conhecido como “rios voadores”, que afetam diversas regiões do país. Ela aponta que suas pesquisas são essenciais para determinar áreas de preservação e compreender a fragilidade dos sistemas ecológicos.
A honraria recebida por Maria Teresa Fernandez Piedade reforça a importância de seu trabalho na ciência e na preservação ambiental, destacando não apenas suas contribuições acadêmicas, mas também seu compromisso com a conservação da biodiversidade na Amazônia.

Bióloga do Inpa vence maior prêmio da ciência brasileira
Fonte: Agencia Brasil.
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