Fazenda-laboratório em Canaã dos Carajás promove restauração de pastagens e produção sustentável
Em meio à rica biodiversidade da Amazônia, a Fazenda São Francisco, localizada na zona rural de Canaã dos Carajás, Pará, se destaca como um espaço de inovação agroflorestal. Operada pela Belterra Agroflorestas, a fazenda-laboratório desenvolve um sistema agroflorestal (SAF) concentrado no cultivo de cacau, com foco na restauração de áreas degradadas.
Sistema Agroflorestal e seu Impacto
Na Fazenda São Francisco, as bananeiras desempenham um papel crucial ao criar um ambiente propício para o crescimento do cacau e de espécies florestais. Esse modelo de convivência entre culturas não apenas promove a recuperação do solo, mas também integra pequenos e médios produtores no mercado de créditos de carbono, um movimento que visa impulsionar a economia local.
A Belterra Agroflorestas, apoiada pela Vale desde 2020 e mais recentemente pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) por meio do Fundo Clima, exemplifica uma startup que evoluiu rapidamente, focando na revitalização de pastagens com práticas sustentáveis.
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Produção Sustentável e a Bioeconomia
Atualmente, a região amazônica conta com 789 startups engajadas na promoção de um impacto positivo sobre a floresta, sinalizando uma mudança nas práticas agrícolas tradicionais. Projetos impulsionados por instituições como a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) têm promovido mais de 40 iniciativas que envolvem não apenas o cacau, mas também outras culturas como guaraná e castanha, visando uma produção com menor emissão de gases de efeito estufa.
Alexandre Hoffmann, engenheiro agrônomo da Embrapa, ressalta a importância de manter a biodiversidade das florestas aliada à produção agrícola. “A biodiversidade da Amazônia tem um potencial que não foi ainda explorado em sua totalidade”, afirma Hoffmann.
Assentamento Palmares II e Agroecologia
Na cidade de Parauapebas, um projeto liderado por agricultores do assentamento Palmares II, vinculado ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Teto (MST), está focado no plantio de mandioca. Com o apoio da Vale, produtores locais da Associação dos Produtores da Vila Palmares Sul (Aprovipar) buscam fortalecer a agricultura familiar e a agroecologia. A inauguração da Casa de Farinha local marca um passo importante na valorização da produção mínima local.
Roberto de Almeida Menezes, vice-presidente da Aprovipar, destaca o desafio de transformar a mandioca em produtos finalizados para o mercado: “Só arrancar e vender a mandioca é difícil. É preciso beneficiar.”
A Lógica da Sustentabilidade
A agroecologia, defendida pelo MST como uma alternativa viável diante das mudanças climáticas, busca práticas que preservam o meio ambiente, evitando o uso de agrotóxicos. Patricia Daros, diretora de soluções na Vale, salienta a relevância e potencial do MST na produção de alimentos orgânicos no Brasil.
Desafios da Bioeconomia
Embora os projetos em execução estejam gerando mudanças significativas na economia da região amazônica, um desafio crítico permanece: a integração dos projetos para mitigar a crise climática. Pedro Abel Vieira, pesquisador da Embrapa, defende uma abordagem mais holística e conectada para os projetos na Amazônia. “Precisamos avançar na bioeconomia ampliada, integrando inovação científica e conhecimento tradicional”, frisa Vieira.
Assimetria e Justiça Social
O lançamento do Plano Nacional de Desenvolvimento da Bioeconomia (PNDBio) pelo governo federal buscará transformar a biodiversidade em um ativo econômico. No entanto, especialistas como Roberto Porro advertem que a estratégia deverá garantir a justiça social e a valorização das culturas locais.
“Não basta substituir combustível fóssil ou aumentar a produção agrícola se isso se dá às custas da marginalização de comunidades tradicionais”, conclui Porro, ressaltando a necessidade de uma bioeconomia inclusiva e sustentável.
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Essa matéria foi elaborada com informações e dados fornecidos pela Agência Brasil.
Bioeconomia em áreas degradadas cria produção sustentável no Pará
Fonte: Agencia Brasil.
Economia