Estudantes da USP Mantêm Ocupação da Reitoria em Busca de Diálogo
São Paulo, 8 de setembro de 2023 – Estudantes da Universidade de São Paulo (USP) continuam a ocupar a reitoria da instituição na tarde desta sexta-feira, demandando a reabertura do diálogo com o reitor Aluísio Augusto Cotrim Segurado. A mobilização, iniciada na quinta-feira (7), é uma resposta à interrupção unilateral das negociações por parte da reitoria, que, segundo os alunos, não atendeu a diversas solicitações previamente apresentadas.
Entre as principais reivindicações estão a ampliação do valor do Programa de Apoio à Permanência e Formação Estudantil (PAPFE), melhorias nas moradias estudantis e condições nos restaurantes universitários, conhecidos como bandejões. Um comunicado do Diretório Central dos Estudantes (DCE) da USP destaca que a ocupação foi motivada pela “extrema precarização das condições de inclusão e permanência enfrentadas na universidade”.
De acordo com os alunos, o Conjunto Residencial da USP (CRUSP) enfrenta condições insalubres, como falta de água e proliferação de mofo nos apartamentos. Em relação aos bandejões, os estudantes relataram preocupações severas sobre a qualidade da comida, citando problemas como o fornecimento de refeições estragadas e a presença de larvas nas refeições servidas.
Guilherme Farpa, estudante de Jornalismo e membro do DCE, criticou recentemente a proposta de aumento do PAPFE, oferecida pelo reitor, que consiste em um acréscimo de R$ 27 para os beneficiários do auxílio integral e R$ 5 para os do auxílio parcial. Para ele, os valores atuais de R$ 885 (integral) e R$ 320 (parcial) são inviáveis para a rotina dos alunos, especialmente considerando o custo de vida na região do Butantã.
Os estudantes argumentam que, com um orçamento estimado de R$ 9 bilhões para 2026 e uma bonificação de R$ 240 milhões aprovada em março para os professores, há recursos disponíveis para atender às suas necessidades. “Se há esses R$ 240 milhões para os professores, por que não haveria para as outras questões também?”, indaga Farpa.
A ocupação permanecerá até que a reitoria se mostre disposta a reabrir o diálogo. Felipe, estudante de Ciências Moleculares e também membro do DCE, afirmou que o desconforto e as dificuldades enfrentados pelos alunos não são suficientemente entendidos pela administração, que, segundo ele, não vivencia a rotina desgastante dos estudantes.
Outro lado
Em resposta à ocupação, a reitoria da USP divulgou uma nota lamentando a “escalada de violência” que teria levado à invasão do prédio, mencionando que medidas já estão sendo adotadas, incluindo a atuação de forças de segurança pública para evitar a ocupação de outros espaços e prevenir danos ao patrimônio.
Antes da atual ocupação, no dia 5 de setembro, a reitoria havia divulgado um documento que mencionava progressos nas negociações com os estudantes, destacando que o bem-estar da comunidade acadêmica é prioridade da gestão.
As informações são de responsabilidade da Agência Brasil.
USP: alunos mantêm ocupação de reitoria e pedem reabertura de diálogo
Fonte: Agencia Brasil.
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