UFRJ Reabre a Rádio UFRJ FM Após Quase Quatro Décadas
Rio de Janeiro, 3 de julho de 2026 – Quase 40 anos após seu início com um simples transmissor em uma caixa de sapatos, a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) inaugurou a Rádio UFRJ FM, agora na frequência 88,9 FM. A nova emissora promete uma programação diversificada que inclui música independente, conteúdos voltados ao público infantojuvenil, divulgação científica, notícias e esportes, além de blocos da Rádio MEC AM, sob a gestão da Empresa Brasil de Comunicação (EBC).
Marcelo Kischinhevsky, professor da Escola de Comunicação e diretor da nova rádio, relembra que em junho de 1989, ele e colegas estudantes fundaram a então chamada Rádio Livre, que se tornou a Rádio Interferência, fechada após dois anos por operar com um transmissor potente e ser rotulada como “pirata”. Em 2014, com a intermediação do Ministério Público Federal e reestruturação do dial carioca, a UFRJ conseguiu um canal FM em parceria com a EBC.
“Na época, tínhamos 20 anos, e o Leonardo Pinheiro, estudante de engenharia, trouxe o transmissor. A rádio começou a transmitir do centro acadêmico, com programação gravada em fita cassete”, recorda Kischinhevsky. “O ativismo estudantil levou à ampliação da potência e ao fechamento da rádio, mas isso gerou uma discussão em torno do nosso espaço no dial.”
A nova rádio foi estruturada com apoio de emendas parlamentares e recursos da universidade, que enfrentou cortes no seu orçamento. Desde 2019, a rádio operava apenas na internet e como um laboratório de práticas comunicacionais. Em 2025, UFRJ e EBC obtiveram licença para instalar transmissores no Morro do Sumaré, no Parque Nacional da Tijuca, e agora iniciam transmissões experimentais, com a expectativa de alcançar 10 milhões de ouvintes na região metropolitana do Rio.
Na quinta-feira (2), ao ouvir a rádio pela primeira vez em um radinho de pilha no Campus Praia Vermelha, Kischinhevsky não conteve a emoção: “Escorreu uma lágrima”. Ele compartilhou momentos de alegria ao celebrar a volta da emissora, reconhecida como um marco na radiodifusão pública e educativa.
A professora de Comunicação, Suzy dos Santos, destacou a relevância da Rádio UFRJ para a pluralidade do dial carioca. “A radiodifusão comercial é concentrada e, muitas vezes, usada contra os interesses sociais”, criticou. “A Rádio da UFRJ, ao contrário, é feita para pensar em uma sociedade democrática e plural.”
Davi Maia, estudante de jornalismo e colaborador da rádio, enfatizou o espaço dedicado à música independente, que muitas vezes é negligenciado nas emissoras comerciais. “Nós oferecemos uma curadoria diferenciada”, disse sobre sua seleção musical, que incluiu artistas como Luedji Luna e Marcelo D2.
O reitor da UFRJ, Roberto Medronho, reforçou a importância da radiofonia na época atual, repleta de desinformação: “Precisamos de um veículo que acompanhe a população, especialmente a juventude.” Ele também lembrou que a democracia requer vigilância constante.
Com a finalidade de enriquecer sua programação, a Rádio UFRJ abriu edital para seleção de novos programas, aceitando propostas de dentro e fora da comunidade acadêmica, que estejam alinhadas aos princípios da emissora. O objetivo é promover um espaço de diálogo entre a sociedade e a universidade, enquanto enfrenta os desafios contemporâneos da comunicação.
A Rádio UFRJ FM conta com um Conselho Curador formado por representantes de diversos setores da sociedade e integra a Rede Nacional de Comunicação Pública (RNCP), que reúne 168 emissoras de rádio e 165 TVs em todo o Brasil.
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Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil
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Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil
UFRJ inaugura rádio FM no Grande Rio
Fonte: Agencia Brasil.
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