Seleção Francesa Enfrenta Racismo Antes de Semifinal da Copa do Mundo 2026
Enquanto a seleção francesa de futebol se prepara para enfrentar a Espanha em uma das semifinais da Copa do Mundo 2026, marcada para esta terça-feira (14) nos Estados Unidos, o time demonstra um clima de descontração durante os treinamentos, conforme mostram vídeos nas redes sociais. No entanto, o cenário não é apenas de alegria, pois as autoridades e atletas dos dois países se mobilizam contra ataques racistas direcionados a “Les Blues”.
Nos últimos dias, comentários discriminatórios têm se intensificado. Um deles veio do ex-primeiro-ministro espanhol Mariano Rajoy, que, em um artigo, insinuou que a equipe francesa possui um “plantel de altíssimo nível” mas sem “franceses”, referindo-se de forma depreciativa à presença de jogadores descendentes de imigrantes, muitos deles oriundos de antigas colônias africanas.
Essa postura foi amplamente criticada. Jogadores espanhóis, como Pau Cubarsí e Borja Iglesias, e o atual primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez, se manifestaram contra as declarações de Rajoy. Em uma postagem nas redes sociais, Sánchez declarou: “Que vença o melhor e que perca o racismo”, evidenciando a repulsa à discriminação racial.
Marcelo Carvalho, diretor-executivo do Observatório da Discriminação Racial no Futebol, ressaltou que comentários como os de Rajoy refletem um aumento da influência de grupos de extrema-direita, reforçado pelo momento político em que vivem Brasil e outros países. Carvalho também destacou que a sensação de anonimato propiciada pelas redes sociais tem incentivado esses ataques racistas.
Aumento de Ataques Racistas na Copa do Mundo
Diante desse contexto, a FIFA revelou um significativo aumento nos ataques racistas durante a Copa. Durante a primeira fase do torneio, foram registradas 89 mil publicações abusivas nas redes sociais, um número 13 vezes superior ao da Copa de 2022, com 11% delas possuindo caráter racial. Para combater esses atos, a FIFA implementou medidas severas, como expulsões de jogadores que utilizem gestos para ocultar provas de discriminação, uma estratégia conhecida como Protocolo Vini Jr.
O apoio de jogadores, federações e autoridades torna-se cada vez mais evidente. Athletes, como Kylian Mbappé, têm se posicionado contra o racismo, inspirando mudanças que transbordam os limites do esporte.
Antes das declarações de Rajoy, a senadora paraguaia Celeste Amarilla também direcionou insultos racistas a Mbappé após a derrota do Paraguai. Em resposta, o jogador enfatizou a inadequação da política que ela representa, recebendo respaldo da Federação Francesa de Futebol e do governo da França.
A federação francesa não hesitou em qualificar as declarações de Amarilla como “desprezíveis e inaceitáveis”, levando a Procuradoria a abrir um inquérito por injúria agravada e incitação ao ódio e à violência.
Com essas tragédias sendo tratadas com a seriedade que merecem, o cenário em torno da Copa do Mundo não é apenas de competições esportivas, mas também de um combate intensificado às práticas racistas que permeiam o ambiente do futebol global.
Créditos de Imagem: Agência Brasil.
Reação ao racismo contra jogadores negros na Copa vai além do futebol
Fonte: Agencia Brasil.
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