Ameaças e Pressões: Desmatamento Avança em Unidades de Conservação da Amazônia Legal
Unidades de conservação federais e terras indígenas localizadas na Amazônia Legal estão enfrentando crescente pressão externa decorrente de desmatamentos. Enquanto isso, as unidades de conservação estaduais apresentam um quadro ainda mais preocupante, com taxas de devastação mais elevadas dentro de seus limites. Os dados são parte do relatório Ameaças e Pressão em Áreas Protegidas, elaborado pelo Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon).
O levantamento, que analisa as ocorrências de desmatamento entre outubro e dezembro de 2025, utiliza imagens de satélite para examinar áreas com recortes de 10 quilômetros quadrados, denominadas “células”. Essas imagens permitem identificar tanto as áreas protegidas quanto os arredores que sofrem com a concentração de desmatamento.
“Consideramos ameaça tudo o que ocorre nas proximidades das áreas protegidas, até 10 quilômetros de seus limites. O que acontece dentro dessas áreas é classificado como pressão, que indica que o desmatamento já invadiu o território”, explica Bianca Santos, pesquisadora do Imazon.
No total, foram identificadas 904 células com desmatamento nas unidades de conservação federal, estadual e terras indígenas, bem como nos entornos dessas áreas. Dentre elas, 577 (64%) foram consideradas ameaçadas, enquanto 327 (36%) estavam dentro dos limites das áreas protegidas.
Quando analisadas por tipo de área protegida, as unidades de conservação estaduais apresentaram 50% de ameaça e 50% de pressão. Nas áreas indígenas, a ameaça alcançou 68% e a pressão foi de 32%. Para as Unidades de Conservação Federais, os índices foram de 69% de ameaça e 31% de pressão interna.
As Reservas Extrativistas (Resex) Chico Mendes, no Acre, foram apontadas como a área com maior detecção de células com desmatamento no último trimestre de 2025. A Área de Proteção Ambiental (APA) Triunfo do Xingu, no Pará, e a Resex Tapajós-Arapiuns, também no Pará, seguem em sequência entre as mais pressionadas.
Alerta para Áreas Ameaçadas
Particularmente preocupante é o caso da Floresta Nacional (Flona) de Saracá-Taquera, que foi identificada como a área com o maior número de desmatamentos a até 10 quilômetros de seus limites. A Resex Chico Mendes aparece em segundo lugar, seguida pela Resex Tapajós-Arapiuns.
De acordo com Bianca Santos, o estudo representa um importante alerta para mitigar problemas ambientais na região. Contudo, a recorrência de determinadas áreas entre as mais ameaçadas e pressionadas pelo desmatamento sugere ineficiências nas ações de enfrentamento.
“Observamos, na série histórica, que as áreas protegidas simplesmente trocam de posição entre ameaçadas e pressionadas, muitas vezes avançando do desmatamento nas proximidades para dentro das áreas protegidas”, conclui a pesquisadora.
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Amazônia Legal: desmatamento prevalece em torno de áreas protegidas
Fonte: Agencia Brasil.
Meio Ambiente