Lançamento do Atlas de Rotas Migratórias das Américas na COP15 em Campo Grande
Uma nova ferramenta que mapeia rotas de migração e áreas de parada e repouso para 89 espécies de aves migratórias das Américas foi lançada nesta quinta-feira (26) durante a 15ª Conferência das Nações Unidas sobre Espécies Migratórias de Animais Silvestres (COP15), realizada em Campo Grande, Mato Grosso do Sul. O Atlas de Rotas Migratórias das Américas está disponível online e tem como objetivo facilitar a identificação de locais que demandam esforços intensificados por parte de governos e iniciativas de cooperação internacional para a conservação das aves migratórias.
De acordo com Braulio Dias, diretor de Conservação e Uso Sustentável da Biodiversidade do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), a nova ferramenta permitirá que políticas públicas sejam mais bem direcionadas. “Podemos definir, com maior precisão, as áreas geográficas que precisam de mais atenção para a conservação, incluindo a criação de áreas protegidas, sejam públicas ou privadas”, explicou.
Além de auxiliar na elaboração de políticas públicas, o Atlas também será útil na otimização do licenciamento ambiental de empreendimentos, como linhas de transmissão e torres eólicas. Dias ressaltou que a má localização dessas estruturas pode resultar em alta mortalidade de aves e morcegos, colocando em risco a biodiversidade local.
O Atlas oferece um mapa interativo que permite visualizar as áreas de concentração de aves (ACAs) e a trajetória migratória de cada espécie ao longo do ano. “A ferramenta também é de interesse para o público em geral, especialmente para os amantes da observação de aves que queiram explorar regiões conhecidas por sua biodiversidade”, detalhou Braulio Dias.
A base de dados do Atlas é uma compilação de milhões de registros gerados por ciência-cidadã na plataforma eBird e será ampliada, com previsão de abranger 622 espécies que transitam por 56 países, desde o Ártico canadense até a Patagônia chilena. Um exemplo de ave mapeada é o pássaro conhecido como veste-amarela (pássaro-preto-de-veste-amarela), que migra pelo Sul do Brasil, Uruguai, Argentina e Paraguai. Esta espécie está ameaçada de extinção e faz parte da lista da Convenção de Espécies Migratórias de Animais Silvestres (CMS).
Christopher Wood, diretor do Centro de Estudos de Populações de Aves do Laboratório de Ornitologia da Universidade de Cornell, destacou a importância da colaboração na construção do Atlas, afirmando que a ferramenta é resultado da união de milhões de observações de aves provenientes de cidadãos em toda a América.
O projeto é uma iniciativa do secretariado da CMS, em parceria com o Laboratório de Ornitologia da Universidade de Cornell, o MMA e o Serviço de Pesca e Vida Selvagem dos Estados Unidos (USFWS). Durante o evento de lançamento, Amy Fraenkel, secretária executiva da CMS, enfatizou que o atlas reforça o compromisso compartilhado em fortalecer a conectividade ecológica além das fronteiras, em um momento crítico para as ações em prol das espécies migratórias.
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Atlas lançado na COP15 mostra rotas migratórias de aves vulneráveis
Fonte: Agencia Brasil.
Meio Ambiente