Governo Lula Propõe Candidatura Feminina para Secretário-Geral da ONU em Cúpula da Celac
O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva está em vias de apresentar uma proposta inovadora na 9ª Cúpula da Comunidade de Estados Latino-americanos e Caribenhos (Celac), a ser realizada no dia 9 de abril em Tegucigalpa, capital de Honduras. A proposta sugere a unificação dos países da região em torno da candidatura única de uma mulher ao cargo de secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU).
A informação foi confirmada pela embaixadora Gisela Padovan, secretária de América Latina do Ministério das Relações Exteriores (MRE), que destacou a importância de a América Latina e o Caribe serem representados por uma mulher no cargo. “Pelo esquema de rotatividade regional, a gente entende que caberia à América Latina e ao Caribe. Estamos propondo que os países se unam para trabalhar em torno de uma candidatura única, o que nos dá chance de fazer valer esse princípio da rotatividade”, afirmou Padovan durante entrevista à imprensa.
Atualmente, o cargo de secretário-geral da ONU é ocupado pelo português António Guterres, cujo mandato termina em 2024. Desde a criação da organização, nenhuma mulher ocupou essa posição, o que torna a proposta brasileira especialmente significativa. “Na nossa proposta [de declaração da Celac], existe um parágrafo sobre isso. Temos candidatas de grande peso político, intelectual e de liderança internacional. Não haveria razão para não sermos representadas, mas vamos trabalhar isso com a Celac”, acrescentou a embaixadora.
Entre os nomes que vêm sendo cogitados como potenciais candidatas estão a ex-presidente do Chile, Michelle Bachelet, que já ocupou cargos de destaque na ONU, como diretora da ONU Mulheres e alta comissária de Direitos Humanos, além da primeira-ministra de Barbados, Mia Mottley, reconhecida por sua atuação em favor do financiamento sustentável e perdão de dívidas para países em desenvolvimento diante das mudanças climáticas.
O papel do secretário-geral da ONU é crucial, abrangendo a representação do organismo internacional em reuniões com líderes mundiais, a presidência do Conselho de Coordenação dos Chefes Executivos do Sistema das Nações Unidas, e a atuação em defesa da paz mundial, buscando a resolução de disputas e conflitos entre países.
A cúpula, que contará com a presença de importantes líderes regionais, incluindo os presidentes Luís Arce (Bolívia), Gustavo Petro (Colômbia), Bernardo Arévalo (Guatemala), Diaz-Canel (Cuba), Yamandu Orsi (Uruguai), além da anfitriã Xiomara Castro, presidente de Honduras, promete ser um espaço de debate sobre temas relevantes. Um dos possíveis assuntos é a recente imposição de tarifas comerciais pelos Estados Unidos, proposta pelo presidente Donald Trump.
Apesar de a declaração final da Celac não abordar diretamente as tarifas norte-americanas, espera-se que ela reitere o compromisso com o multilateralismo e a busca por regras comerciais justas entre os países da região. Com 33 países membros, a Celac abrange mais de 22 milhões de quilômetros quadrados na América Latina e Caribe, e a população somada de cerca de 670 milhões, quase o dobro da população dos Estados Unidos.
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Brasil quer candidatura única latino-americana para liderar a ONU
Fonte: Agencia Brasil.
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