Campo Grande Sedia 15ª Conferência da ONU sobre Espécies Migratórias a Partir de 23 de Março
A cidade de Campo Grande, em Mato Grosso do Sul, será o palco da 15ª Conferência das Nações Unidas sobre Espécies Migratórias de Animais Silvestres (COP15), que ocorrerá entre os dias 23 e 30 de março. O evento reunirá representantes de 132 países, além da União Europeia, todos signatários da Convenção sobre a Conservação das Espécies Migratórias de Animais Silvestres (CMS), criada em 1979 com o objetivo de proteger a biodiversidade e as rotas migratórias das espécies.
Durante uma semana, a lendária cidade sul-mato-grossense será o centro de debates e decisões sobre ações de conservação de animais que percorrem longos trajetos, conectando diversos ecossistemas. Amy Fraenkel, secretária executiva da CMS, indica que um dos principais destaques da COP15 será o primeiro relatório sobre o estado das espécies migratórias, apresentado na edição anterior do evento, realizada em Samarcanda, no Uzbequistão.
Este relatório revela um panorama alarmante: houve um declínio de 24% no estado de conservação das espécies migratórias. Uma em cada quatro espécies listadas pela CMS se encontra ameaçada. “Esses dados são preocupantes, pois a proporção de espécies com populações em declínio subiu de 44% para 49%”, afirmou Kelly Malsch, chefe de Conservação da Natureza do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma). As informações são extraídas da Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN).
Desafios e Ações Propostas
Fraenkel enfatiza a necessidade de implementar políticas que combatam questões como a captura ilegal e insustentável das espécies migratórias, bem como a captura acidental em atividades pesqueiras. Além disso, busca-se fortalecer a conectividade ecológica para enfrentar a destruição e fragmentação de habitats.
Entre as medidas propostas, destacam-se a análise da infraestrutura terrestre e marinha, o apoio à expansão da energia renovável e a mitigação dos impactos negativos sobre as espécies. “Estamos também discutindo problemas relacionados à poluição e às mudanças climáticas”, afirma a secretária.
Durante a conferência, novos estudos serão apresentados para subsidiar decisões e aprimorar o monitoramento das espécies migratórias. Um relatório global sobre peixes migratórios de água doce e outro sobre mineração em águas profundas e seus impactos nas espécies marinhas serão lançados na abertura da COP15.
Participação do Brasil e Importância das Espécies
Desde outubro de 2015, o Brasil participa da convenção e é um dos corredores naturais para muitas das espécies protegidas pelo tratado. O país abriga aproximadamente 1,2 mil aves, mamíferos, peixes, répteis e insetos que são essenciais para o equilíbrio dos ecossistemas.
O deslocamento desses animais promove o transporte de nutrientes e a dispersão de sementes, sendo reflexo da saúde ambiental. Contudo, a perda de habitat e a sobre-exploração colocam muitas dessas espécies em risco de extinção, levando à necessidade de suas classificações em grupos distintos no Anexo 1 e Anexo 2 da CMS.
A COP15, marcada por uma agenda ambiciosa com mais de 100 itens a ser discutidos, promete trazer à tona as complexidades da conservação das espécies migratórias e a importância de ações colaborativas a nível global.
Queda na conservação de espécies migratórias pautará encontro da ONU
Fonte: Agencia Brasil.
Meio Ambiente