EUA Impõem Tarifas a Todos os Parceiros Comerciais: Análise dos Efeitos na Economia Global e no Brasil
Na quarta-feira, 2 de novembro, o governo dos Estados Unidos anunciou a imposição de tarifas sobre todos os seus parceiros comerciais, uma ação que busca reverter a perda de competitividade da indústria americana e combater déficits comerciais anuais que ultrapassam US$ 1 trilhão. De acordo com especialistas, essa decisão representa um dos maiores choques econômicos desde os anos 1930 e pode ter impactos significativos na economia global e no comércio, especialmente no Brasil.
O economista-chefe do Banco Master, Paulo Gala, consultado pela Agência Brasil, ressaltou que o que se observa é mais um esforço do governo americano para recuperar uma posição que, segundo ele, a indústria dos EUA perdeu para países da Ásia, que nos últimos 20 a 30 anos implementaram políticas de inovação e desenvolvimento industrial. “Os governos do Vietnã, Malásia, Tailândia, Indonésia, China e Índia têm criado subsídios e políticas que favorecem suas indústrias”, destacou.
O Impacto das Tarifas
As tarifas impostas, que variam de 10% para países da América Latina a 30% para países asiáticos, têm o potencial de paralisar decisões empresariais e gerar incerteza no mercado global. Segundo Gala, “multinacionais que produzem em países como Vietnã ou China vão repensar suas estratégias devido à nova realidade tarifária”.
Além disso, a produção industrial dos Estados Unidos representa atualmente apenas 17,4% da produção industrial global, uma queda significativa comparada aos 28,4% de 2001. O economista afirma que essa situação foi fruto de déficits comerciais persistentes que "dificultaram a fabricação doméstica".
Um fator importante mencionado por Gala é o custo de produção nos EUA, estimado entre 5 a 6 vezes maior do que na Ásia, onde a média salarial é consideravelmente inferior. Essa diferença afeta a capacidade da indústria americana de competir de forma eficaz.
Efeitos no Comércio Internacional e no Brasil
As novas tarifas não refletem uma política de reciprocidade, como alegou o governo, e podem levar a consequências adversas para países como o Brasil. A tarifa aplicada ao país foi a mais baixa, de 10%, mas as repercussões de um choque tarifário podem afetar diretamente a economia brasileira e setores específicos, como a Embraer. A Confederação Nacional da Indústria (CNI) apontou que os EUA são o principal destino das exportações industriais brasileiras, especialmente em setores de alta tecnologia.
O governo brasileiro já sinalizou que buscará reverter a situação e pode recorrer à Organização Mundial do Comércio (OMC). No entanto, a expectativa é de que a guerra tarifária traga instabilidade adicional ao comércio internacional, com possíveis retaliações de outros países.
Oportunidades para o Brasil
Por outro lado, a crise gerada pela imposição de tarifas pode abrir oportunidades para as exportações brasileiras. Volnei Eyng, CEO da gestora de ativos Multiplike, comentou que, se o Brasil souber aproveitar este momento, poderá expandir suas exportações, especialmente porque a taxação sobre produtos americanos pode levar importadores a explorar alternativas.
Diante desse cenário, o Brasil se encontra em uma posição de vulnerabilidade, mas também pode vislumbrar novas oportunidades no cenário comercial global em constante mudança.
Paulo Gala/Arquivo pessoal
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Marcos Corrêa/PR/Wikipedia
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Fonte: Agencia Brasil.
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