Estado Brasileiro: Reflexões de Fernando Haddad no Lançamento de “Capitalismo Superindustrial”
São Paulo – O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, fez uma provocativa análise sobre a relação da classe dominante com o Estado brasileiro durante o lançamento de seu livro Capitalismo Superindustrial, realizado no Sesc 14 Bis. O evento, que contou com a mediação da historiadora Lilia Schwarcz e a participação do sociólogo Celso Rocha de Barros, abordou questões centrais do capitalismo contemporâneo e suas intersecções com a história brasileira.
O Estado Como Propriedade
Durante sua fala, Haddad destacou que “a classe dominante brasileira entende o Estado como dela, não é uma coisa nossa, é uma coisa dela”. Segundo ele, essa percepção remonta ao processo de consolidação da República após a abolição da escravidão. O ministro argumentou que o Estado foi, em certo sentido, “entregue aos fazendeiros como indenização pela abolição”, evidenciando como o movimento republicano de 1889 não substituiu a classe dirigente, mas sim perpetuou o controle das elites sobre as estruturas de poder.
Dinâmica Democrática Fragilizada
Haddad também se referiu a um “acordão” entre a classe dominante e as Forças Armadas ao longo da história brasileira. “Quando esse arranjo é colocado em xeque, a reação é imediata”, afirmou, ressaltando como isso contribui para a fragilidade da democracia no país. Para ele, essa dinâmica impede a contestação efetiva do status quo, gerando tensões que podem levar a rupturas institucionais.
Análise do Capitalismo Superindustrial
No seu livro, Haddad explora as características do que ele denomina capitalismo superindustrial, um modelo global marcado por desigualdades crescentes e pela competição exacerbada. A obra analisa a acumulação primitiva de capital em países periféricos e o papel do conhecimento como fator de produção em novas configurações de classe.
De acordo com o ministro, a desigualdade tende a aumentar em um cenário onde o Estado se limita a mitigar os efeitos do desenvolvimento capitalista. “Deixada à própria sorte, essa dinâmica leva a uma desigualdade absoluta”, adicionou, enfatizando que essa contradição já é palpável na sociedade atual.
Reflexões sobre o Oriente
No decorrer do evento, Haddad também se debruçou sobre as revoluções no Oriente, que, ao contrário dos movimentos no Leste Europeu e na América, foram caracterizadas como antissistêmicas e antiimperialistas. Ele discutiu a natureza violenta e coercitiva da acumulação de capital nesses contextos, que, segundo ele, trazem à tona a complexidade das dinâmicas sociais e econômicas globais.
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O evento foi uma oportunidade para aprofundar a discussão sobre os desafios contemporâneos do capitalismo e a articulação histórica da classe dominante com as estruturas de poder em nosso país, temas relevantes no contexto atual da política e da economia brasileira.
Classe dominante brasileira entende o Estado como dela, diz Haddad
Fonte: Agencia Brasil.
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