Cresce o número de ataques a centros de saúde no Oriente Médio
O atual conflito no Oriente Médio tem se caracterizado pelo crescimento alarmante de ataques a centros e profissionais de saúde, com Israel e os Estados Unidos sendo apontados como os principais responsáveis. Somente no Líbano, 70 unidades de saúde foram bombardeadas desde o início de março, refletindo uma escalada na violência. Além disso, o Irã reportou que cerca de 300 equipamentos de saúde foram danificados em ataques.
Esses atos, conforme o direito humanitário internacional, são considerados graves violações. Até o momento, não há registros de ataques a centros médicos em Israel ou em outras nações do Golfo Pérsico, alvos de ações iranianas.
De acordo com informações do Ministério da Saúde libanês, o número de centros médicos atacados aumentou significativamente, saltando de 18 para 70 em um curto período. Este cenário se agravou com a notícia do assassinato de dois paramédicos na cidade de Nabatieh, vítimas de um ataque israelense a um comboio de motocicletas. Desde o início dos conflitos, 42 profissionais de saúde foram mortos, e 119 ficaram feridos, forçando o fechamento de cinco hospitais e afetando gravemente outras nove unidades.
A Força de Defesa de Israel (FDI) justifica os ataques afirmando que o Hezbollah utiliza instalações médicas para fins militares. No entanto, a Anistia Internacional refutou essas alegações, afirmando que Israel não apresentou provas. Kristine Beckerle, diretora regional adjunta da Anistia, declarou: “Acusações sem provas não justificam tratar hospitais e profissionais de saúde como alvos”.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) corroborou a gravidade da situação, destacando que a infraestrutura de saúde no Líbano já estava saturada antes dos ataques, tendo que atender a mais de 2.900 feridos devido ao conflito. O impacto nos centros de saúde é devastador, com múltiplas mortes e o fechamento de inúmeras unidades.
Irã sob ataque
No Irã, os danos ao sistema de saúde somam 313 centros médicos danificados, conforme declarado pelo Ministério da Saúde. A Cruz Vermelha Iraniana reportou que 281 instalações foram atingidas, e 23 profissionais de saúde foram mortos. O governo iraniano e a Cruz Vermelha localizaram 17 bases que foram alvo de ataques, resultando em danos a 94 ambulâncias.
Até o momento, os Estados Unidos negaram qualquer responsabilidade pelos ataques a instalações civis, mas reconheceram que “efeitos colaterais” são possíveis durante os combates.
Violenças como estratégia
Anwar Assi, jornalista e especialista em geopolítica, afirma que o alto número de ataques a unidades de saúde revela uma estratégia deliberada. “É um crime de guerra que visa aterrorizar a população civil”, disse. De acordo com Assi, o objetivo é forçar a população a se revoltar, causando uma “mudança de regime” no Irã ou contra o Hezbollah no Líbano.
Ele também destacou que, além de ataques diretos, muitas vezes são realizados bombardeios em edifícios próximos aos hospitais, prejudicando o atendimento e causando evacuações.
Situação em Gaza
Os conflitos em Gaza continuam a ser marcados por ataques sistemáticos a unidades de saúde. Desde o dia 7 de outubro de 2023, a OMS registrou 931 ataques a centros médicos em Gaza, com quase 1.000 profissionais de saúde sendo assassinados e outros 2.000 feridos. Israel justifica esses atos alegando que os hospitais estariam sendo utilizados como “escudos” pelo Hamas, o que é negado pelo grupo palestino.
As Forças de Defesa de Israel afirmam que seus militares respeitam o direito humanitário e buscam minimizar a perda de vidas civis, alegando que realizam avisos prévios para evacuação em áreas que serão bombardeadas.
Imagens
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Hospitais em Teerã após ataques aéreos. Foto: Hossein Zohrevand/Press TV
Israel e EUA atacaram quase 400 unidades de saúde no Líbano e Irã
Fonte: Agencia Brasil.
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