Ministros de Meio Ambiente dos BRICS Debate Ações Climáticas em Reunião sob Presidência Brasileira
Na última quinta-feira (3), a ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima do Brasil, Marina Silva, deu início à 11ª reunião dos ministros de Meio Ambiente do BRICS, um bloco que, além do Brasil, é composto por Rússia, China, Índia, África do Sul e, mais recentemente, Arábia Saudita, Egito, Emirados Árabes, Etiópia, Indonésia e Irã. Durante a abertura, Marina enfatizou a capacidade dos países em desenvolvimento em liderar uma transição global ecológica justa.
Segundo a ministra, os membros do BRICS representam aproximadamente metade da população mundial e 39% do produto interno bruto (PIB) global, fazendo do grupo uma plataforma propícia para a inovação e a diversidade cultural. “Os BRICS são espaços cada vez mais férteis de inovação, ricos em diversidade cultural, com recursos estratégicos e imensa quantidade e qualidade de capital natural”, destacou.
A reunião tem como foco o aprofundamento de quatro temas centrais: desertificação, degradação de terra e seca; preservação e valorização dos serviços ecossistêmicos; poluição plástica e gestão de resíduos; e liderança coletiva para a ação climática, que está em sinergia com a Agenda 2030, o plano global da ONU para promover o desenvolvimento sustentável até 2030. Os assuntos foram sugeridos pela presidência brasileira ao Grupo de Trabalho sobre Meio Ambiente do BRICS e selarão as diretrizes para a declaração ministerial e o plano de trabalho anual.
Marina Silva informou que o plano de trabalho, que será apresentado ao término da reunião, é resultado de meses de negociações entre as equipes técnicas dos países do BRICS, incluindo cerca de 50 atividades práticas nos campos da qualidade do ar, educação ambiental, biodiversidade, gestão de resíduos e químicos, recursos hídricos, zonas costeiras e marítimas, além da mudança do clima.
Durante seu discurso, a ministra utilizou a ideia de “mutirão”, proposta pelo presidente designado para a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30), André Corrêa do Lago, convidando os países a se reunirem no combate aos impactos das mudanças climáticas, que já afetam diversas nações. Marina enfatizou a necessidade de ações concretas para aumentar a velocidade de reduções nas emissões de gases de efeito estufa.
Ela também fez referência ao acordo firmado durante a COP28 em Dubai, onde os países estabeleceram um Balanço Global (GST) como ferramenta do Acordo de Paris para avaliar os avanços na redução de emissões e para triplicar a produção de energia renovável e dobrar a eficiência energética, além de iniciar a transição para o fim do uso de combustíveis fósseis e do desmatamento.
A ministra ressaltou a importância de os países aumentarem suas ambições, apresentando a terceira geração da Contribuição Nacionalmente Determinada (NDC). Até o presente, apenas o Brasil e os Emirados Árabes Unidos já apresentaram metas de redução de emissões. O Brasil, por exemplo, comprometeu-se a reduzir entre 59% e 67% suas emissões até 2035, comparado ao ano de 2005.
“Este é um passo fundamental para assegurarmos a implementação dos compromissos que assumimos até aqui, na Convenção sobre Mudança do Clima”, concluiu Marina Silva, enfatizando ainda a necessidade de fortalecer os mecanismos de financiamento climático para que todos os países possam avançar na proteção da natureza e na adaptação à crise climática.
Marina Silva destaca força do Brics como líder da transição ecológica
Fonte: Agencia Brasil.
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