Eleições em Buenos Aires: Avanço da Ultradireita de Javier Milei e Crise do Macrismo
O partido do atual presidente da Argentina, Javier Milei, um ultradireitista reconhecido, obteve uma vitória significativa nas recentes eleições que renovaram metade das 60 cadeiras do Legislativo da cidade de Buenos Aires. O "La Libertad Avanza", de Milei, superou o tradicional partido Pro, liderado pelo ex-presidente Maurício Macri, tornando-se a nova força dominante na capital argentina.
De acordo com dados divulgados pela Agência Brasil, a abstenção foi alta, em torno de 46%. O Pro, que detinha uma expressiva fatia de 49,7% dos votos nas eleições de 2023, viu seu apoio despencar, alcançando apenas 15,9% neste último pleito. Já o partido de Milei passou de 13,8% para 30,1%, enquanto o peronismo, de centro-esquerda vinculado aos ex-presidentes Néstor e Cristina Kirchner, ficou em 27,4%, uma queda em relação aos 32,3% obtidos no ano anterior.
Leandro Gabiati, cientista político argentino, comenta que o peronismo permanece uma força relevante, ainda que a vitória de Milei e a acentuada crise do macrismo indiquem uma mudança no cenário político. "A cidade de Buenos Aires foi o berço do Pro, que catapultou Macri à presidência entre 2015 e 2019", destacou Gabiati, enfatizando a importância histórica da capital no contexto político atual.
Embora Macri tenha apoiado a política econômica de Milei, ele também se opõe às abordagens político-institucionais do presidente, configurando uma relação complexa entre os dois líderes. O professor de Relações Internacionais da Universidade de Brasília (UnB), Roberto Goulart Menezes, afirma que a direita associada a Macri está agora ao lado do governo Milei, que ainda mantém uma base de apoio considerável, apesar das dificuldades.
Gabiati observa que a crise do macrismo é evidente e que Milei, ao assumir a presidência, começou a moldar uma nova estrutura partidária na capital. A próxima grande prova para o governo será as eleições federais marcadas para 26 de outubro, onde serão eleitos metade dos deputados e um terço do Senado.
A inflação, um dos principais desafios enfrentados pelo governo argentino, apresentou uma variação significativa, caindo de 276% em maio de 2024 para 47% em abril de 2025, influenciada por uma recessão que afetou o país. Goulart também enfatiza a importância do acordo com o FMI, de US$ 20 bilhões, que conferiu ao governo uma margem de manobra e ajudou na recuperação da credibilidade.
Além disso, em outra eleição realizada na província de Santa Fé em abril, o partido de Milei teve um desempenho inferior, obtendo apenas 14% dos votos e ficando em terceiro lugar. A polarização política no país, embora evidente em Buenos Aires, foi desafiada por dinâmicas regionais que permitiram a vitória de coalizões locais em outras províncias.
Enquanto o cenário político na Argentina evolui, as próximas semanas prometem ser decisivas para a navegabilidade das forças em disputa, com o futuro das hegemonias eleitorais e a capacidade de cada grupo político de se estabelecer em um ambiente cada vez mais conturbado.
Milei supera direita tradicional em berço político de ex-presidente
Fonte: Agencia Brasil.
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