Transição Energética: Propostas para Reduzir a Produção de Petróleo e Acelerar a Sustentabilidade
A transição para energias mais limpas no Brasil ganha um novo impulso com diretrizes enviadas por 161 organizações sociais que compõem o Observatório do Clima. O documento, elaborado para apoiar a formulação de um planejamento energético mais sustentável, sugere uma mudança significativa na abordagem da produção de petróleo, passando da lógica de máxima exploração para uma produção que vise o “mínimo necessário” durante a transição energética.
Rumo a um Mapa do Caminho Justo
Encomendado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em dezembro de 2025, o mapa do caminho para uma transição energética justa deve ser apresentado ao Conselho Nacional de Política Energética até o dia 6 de fevereiro. De acordo com o especialista em conservação da WWF-Brasil, Ricardo Fujii, a proposta de um planejamento estruturado “reduz riscos no curto prazo e amplia oportunidades de crescimento sustentável no longo prazo”, além de ser uma escolha econômica racional para o país.
Diretrizes e Recomendações
O documento enviado ao governo apresenta recomendações técnicas e econômicas organizadas em três eixos: diretrizes de política energética e transição, governança institucional e aspectos financeiros. Entre as sugestões, destaca-se o cálculo do mínimo necessário de combustíveis fósseis durante a transição, o descomissionamento de campos de petróleo que estão prestes a se esgotar e a elaboração de um cronograma para zerar os leilões de petróleo no Brasil.
Nicole Oliveira, diretora do Instituto Arayara, enfatiza que a desigualdade gerada pela exploração de combustíveis fósseis não é apenas regional ou social, mas intergeracional, trazendo custos climáticos e fiscais para as futuras gerações.
Fortalecimento da Governança
Quanto à governança, as recomendações incluem o fortalecimento de mecanismos de integração entre governo, sociedade civil e setor produtivo, como o Fórum Nacional de Transição Energética. Além disso, propõe-se a criação de um órgão central para monitorar o cumprimento dos cronogramas estabelecidos, funcionando como uma autoridade de implementação.
O pesquisador Shigueo Watanabe Jr., do ClimaInfo, ressalta a importância do compromisso de todos os setores, incluindo governos e sociedade, para garantir o sucesso dessa transformação.
Aspectos Financeiros
O aspecto financeiro também é objeto de atenção no documento. Entre as recomendações, está a suspensão de novos leilões de petróleo, embasada na gestão de riscos de ativos obsoletos, evitando a antecipação de rendas de recursos ainda não explorados. Além disso, sugere-se o fim de subsídios governamentais à produção de combustíveis fósseis e uma revisão dos subsídios existentes, assim como assegurar orçamento vinculado à transição energética no Plano Plurianual (PPA) e na Lei Orçamentária Anual (LOA).
Além dessas diretrizes, o governo já está elaborando um primeiro documento que estabelecerá as diretrizes e bases para o Mapa do Caminho, conforme informação fornecida pela ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva.
Essas propostas sinalizam um compromisso coletivo para uma transição energética mais sustentável e justa, alinhando as políticas públicas às metas globais de combate às mudanças climáticas.
Observatório do Clima entrega recomendações para transição energética
Fonte: Agencia Brasil.
Meio Ambiente