Trump intensifica retórica contra Cuba em meio a negociações bilaterais
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, elevou a temperatura nas relações com Cuba ao declarar que espera ter a “honra” de tomar Cuba “de alguma forma”. Em uma fala provocativa, Trump afirmou aos repórteres, durante um evento no Salão Oval, que “posso fazer o que quiser” com a ilha caribenha, que enfrenta uma grave crise econômica.
Essas declarações surgem em um momento delicado, pois os dois países iniciaram discussões para tentar melhorar suas relações, que têm sido marcadas por desafios desde a revolução liderada por Fidel Castro, há 67 anos. A situação se agrava para Cuba, que enfrenta dificuldades econômicas sem precedentes e um bloqueio de petróleo imposto pelos EUA, exacerbado pela captura do ex-presidente venezuelano Nicolás Maduro.
Trump afirma que a “honra” de tomar Cuba é um objetivo que ele almeja, destacando que está disposto a intervir diretamente nos assuntos cubanos. Além disso, o presidente dos EUA também está insistindo na destituição do presidente cubano Miguel Díaz-Canel como uma das principais metas nas atuais negociações. De acordo com informações da imprensa, os EUA sinalizaram que a saída de Díaz-Canel é necessária, mas deixaram claro que as próximas ações cabem a Cuba.
O presidente cubano, que sucedeu Fidel e Raúl Castro em 2018, repercutiu as palavras de Trump enfatizando a necessidade de que as negociações sejam conduzidas “sob princípios de igualdade e respeito pelos sistemas políticos” de ambos os países, além de reafirmar a soberania e autodeterminação de Cuba.
A história de tensões entre os EUA e Cuba foi marcada principalmente por tentativas de interferência na política da ilha. No entanto, após décadas em que diversas administrações americanas criticaram o regime cubano, houve um acordo durante a crise dos mísseis em 1962, que previu a não intervenção militar dos EUA em Cuba.
Recentemente, a pressão sobre Cuba aumentou, especialmente com a interrupção de remessas de petróleo da Venezuela e a ameaça de tarifas contra qualquer país que negocie petróleo com a ilha. Cuba informou que não recebe petróleo há três meses, levando a um severo racionamento de energia e interrupções prolongadas de eletricidade. A situação culminou em um colapso na rede elétrica do país, afetando a população de 10 milhões.
Em declarações a repórteres na última segunda-feira, Trump destacou que, enquanto conversações estão em andamento com Cuba, a prioridade do governo americano ainda é resolver questões referentes ao Irã.
Até o momento, a Casa Branca não especificou a base legal que poderia respaldar uma eventual intervenção em Cuba, adicionando mais incerteza ao futuro das relações entre os dois países.
Reportagem adicional de Ryan Patrick Jones em Toronto
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Trump diz que pode fazer com Cuba “qualquer coisa que quiser”
Fonte: Agencia Brasil.
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