Unicamp aprova cotas para estudantes trans, travestis e não-binários em graduação
O Conselho Universitário da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) aprovou, por unanimidade, a implementação de cotas para candidatos que se autodeclaram trans, travestis ou não-binários em seus cursos de graduação. A decisão foi tomada durante uma reunião realizada na última terça-feira, dia 1º de outubro, e representa um marco histórico para a inclusão e diversidade no ambiente acadêmico.
A proposta foi resultado de um trabalho colaborativo entre a reitoria da universidade, estudantes e movimentos sociais, entre os quais se destacam o Ateliê TransMoras e o Núcleo de Consciência Trans. Segundo o professor José Alves Neto, coordenador da Comissão Permanente para os Vestibulares (Comvest) e membro do grupo que formulou a proposta, sete dos quinze integrantes do grupo se identificam como pessoas trans, reforçando a relevância e a representatividade da iniciativa.
De acordo com informações divulgadas pela Unicamp, as vagas destinadas a essa população serão incluídas no edital do Enem-Unicamp e permitirão a participação tanto de candidatos de escolas públicas quanto privadas. Para cursos com até 30 vagas, ao menos uma vaga será reservada para candidatos trans, enquanto cursos com 30 ou mais vagas deverão oferecer, no mínimo, duas vagas.
O processo de seleção exigirá que os candidatos façam uma autodeclaração no ato da inscrição ao vestibular, além de apresentar um relato de vida que será analisado por uma comissão de verificação. Após cinco anos da implementação dessas cotas, a universidade realizará uma avaliação sobre os efeitos da política.
Em dados recentes, a Comvest informou que 279 candidatos se inscreveram utilizando nome social no vestibular deste ano. Dentre eles, 40 foram convocados para as próximas etapas do processo seletivo, com destaque para os cursos de artes visuais, ciências biológicas e medicina, que atraíram a maior quantidade de inscrições.
Com essa nova política, a Unicamp se junta a outras 13 universidades federais e estaduais que já adotam sistemas semelhantes de acesso à graduação, contribuindo para um cenário mais inclusivo e diversificado no ensino superior brasileiro.
A imagem utilizada neste artigo é de responsabilidade da Agência Brasil.
Unicamp aprova cotas para pessoas trans, travestis ou não binárias
Fonte: Agencia Brasil.
Educação