Universidades Brasileiras e a Universidade de Glasgow Iniciam Pesquisa sobre Mudanças Climáticas em Favelas
Em um esforço conjunto com a Universidade de Glasgow, no Reino Unido, três instituições de ensino superior brasileiras estão lançando uma pesquisa pioneira para mitigar os impactos das mudanças climáticas nas favelas do Brasil. O projeto, intitulado Pacha (sigla em inglês para “Análise Participativa para Adaptação Climática e Saúde em Comunidades Urbanas Desfavorecidas no Brasil”), investiga comunidades nas cidades de Natal (RN), Curitiba (PR) e Niterói (RJ).
A pesquisa, coordenada pelo professor João Porto de Albuquerque, diretor do Urban Big Data Centre da Universidade de Glasgow, contará com um financiamento superior a R$ 14 milhões, proveniente da Wellcome Trust, uma fundação britânica sem fins lucrativos que apoia investigações nas áreas de saúde e mudanças climáticas. As parceiras brasileiras são a Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR), por meio do Programa de Pós-Graduação em Gestão Urbana (PPGTU); a Fundação Getulio Vargas (FGV), através do Departamento de Tecnologia e Ciência de Dados da Escola de Administração de Empresas de São Paulo (FGV EAESP); e a Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN).
Paulo Nascimento, coordenador do PPGTU da PUC-PR, destacou em entrevista à Agência Brasil que todos os municípios do país devem criar planos de adaptação às mudanças climáticas. No entanto, ele ressalta que os dados atuais refletem predominantemente as áreas formais das cidades, deixando as favelas de fora. “Nosso objetivo é construir uma base de dados coletivamente com os moradores, o que permitirá gerar evidências que auxiliem na revisão ou aprimoramento dos planos de ação climática”, afirmou Nascimento.
Observando Contextos Distintos
O projeto abrangerá cidades com diferentes realidades climáticas, permitindo um estudo abrangente sobre como as comunidades urbanas enfrentam os desafios ambientais. A pesquisa irá explorar as capacidades já desenvolvidas pelas comunidades e como os cientistas podem aprender com elas.
Em um aspecto inovador, o Pacha também integrará “pesquisadores comunitários” ao projeto, que serão moradores dessas favelas. Essas bolsas, que serão oferecidas a partir de janeiro de 2026, têm como foco engajar as comunidades e promover a cocriação de soluções. “Queremos que esses pesquisadores sejam replicadores do conhecimento adquirido, garantindo que a capacidade local permaneça após o fim do projeto”, disse Nascimento.
Desafios Climáticos e Desigualdade
Com base no Censo de 2022 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Brasil abriga mais de 12 mil favelas, com uma população de cerca de 16,39 milhões de pessoas, representando 8,1% da população total do país. Essas comunidades, comumente afetadas por chuvas intensas, deslizamentos de terra e ondas de calor, frequentemente vivem em condições precárias e sem a infraestrutura necessária.
O Pacha colaborará com várias instituições científicas, incluindo a Fundação Oswaldo Cruz, visando mapear a vulnerabilidade de diferentes grupos dentro das comunidades em relação aos riscos climáticos. “Buscamos uma abordagem de baixo para cima, que construa capacidades comunitárias e resulte em diagnósticos relevantes para cada favela”, disse Nascimento.
A previsão é que os resultados finais do projeto sejam divulgados em 2027.
Lançamento e Colaboração
Na primeira semana de dezembro, pesquisadores das universidades participantes se reuniram em Natal com representantes da Universidade de Glasgow, do governo federal e das comunidades locais. Durante essa semana, os acadêmicos discutiram o desenho da pesquisa e realizaram o lançamento oficial do projeto. A cada seis meses, um evento será realizado em uma das três cidades participantes para apresentar resultados parciais e engajar as comunidades.
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Foto: Paulo Nascimento/Arquivo pessoal
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Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil
Universidades vão engajar favelas em estudo sobre crise climática
Fonte: Agencia Brasil.
Meio Ambiente