Desmatamento na Amazônia: 588 Áreas Protegidas Sem Registros de Corte de Árvores em 2026
Um levantamento divulgado nessa sexta-feira (24) pelo Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon) revelou que 588 áreas protegidas na região da Amazônia não registraram desmatamento no primeiro semestre de 2026. Essa quantidade corresponde a mais de 80% dos territórios analisados, englobando 330 terras indígenas e 258 unidades de conservação.
Queda no Desmatamento
Os dados são apresentados em um contexto delicado, já que ocorrem poucos dias após os Estados Unidos introduzirem uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros, citando o desmatamento ilegal como uma das justificativas para a medida. O governo brasileiro classificou tais acusações como “indevidas”, ressaltando que os índices de desmatamento têm mostrado uma tendência de queda desde o início de 2023.
De acordo com o Imazon, a Amazônia registrou 1.145 quilômetros quadrados de florestas desmatadas entre janeiro e junho deste ano, uma redução de 10% em comparação ao mesmo período do ano anterior. Este número representa a menor área desmatada em um primeiro semestre nos últimos oito anos. Em relação a 2022, quando houve um pico histórico de desmatamento, a diminuição chegou a 76%.
Incidência de Desmatamento nas Áreas Protegidas
As áreas protegidas responderam por 97,37 quilômetros quadrados do total desmatado, o que equivale a 8% da área desmatada nacionalmente. Desses números, 9,38 quilômetros quadrados ocorreram em terras indígenas, enquanto 87,99 quilômetros quadrados foram desmatados em unidades de conservação.
Focos de Desmatamento
Apesar da redução em geral, o estudo do Imazon também evidenciou focos de pressão persistente sobre a floresta. Um dos principais pontos negativos é a Área de Proteção Ambiental (APA) Triunfo do Xingu, no Pará, onde ocorreu 47,85 km² de desmatamento entre janeiro e junho, representando metade do total desmatado em áreas protegidas da Amazônia no período.
Outro destaque foi a Floresta Nacional (Flona) do Jamanxim, também no Pará, que vem enfrentando pressões consideráveis. O Imazon apontou a recente aprovação de um projeto de lei no Senado que reduz a área da Flona, que perdeu 3,45 km² de floresta, equivalente a quase 350 campos de futebol.
Brenda Brito, coordenadora do Programa de Direito e Sustentabilidade do Imazon, criticou a aprovação do projeto, afirmando que o Congresso Nacional está legislando em favor de um pequeno grupo que invadiu ilegalmente a área após sua criação em 2006. Brito salientou a importância das unidades de conservação para o controle do desmatamento e a crise climática, defendendo que o projeto deveria ser vetado pela Presidência.
Desmatamento Regional
Analisando a situação em nível regional, o Imazon indicou que apenas dois de nove estados da Amazônia Legal registraram aumento no desmatamento entre agosto de 2025 e junho de 2026: Roraima, com uma alta de 25%, e Maranhão, com 20%. Os demais sete estados apresentaram quedas que variaram de 67% (Tocantins) a 27% (Mato Grosso).
Em termos de área desmatada, o Pará liderou o ranking com 684 km², seguido pelo Mato Grosso com 509 km² e o Amazonas com 378 km².
Esses dados ressaltam a complexidade da situação ambiental na Amazônia e as medidas que precisam ser adotadas para a conservação da floresta e o combate ao desmatamento.
Redução do desmatamento contrasta com argumentos dos EUA para tarifaço
Fonte: Agencia Brasil.
Meio Ambiente