CGEE Lança Livro Sobre Terras Raras no Brasil: Cenários e Estratégias até 2040
O Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE), vinculado ao Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), divulgou nesta semana um novo livro intitulado Terras Raras no Brasil: estado da arte, cenários e um mapa do caminho estratégico para 2026–2040. A obra, elaborada por uma equipe de dez engenheiros, pesquisadores e professores universitários, examina a cadeia produtiva dos elementos químicos conhecidos como “terras raras”, que possuem elevada condutividade térmica e elétrica.
A publicação oferece uma análise abrangente dos cenários nacional e internacional, além de mapear as reservas minerais de terras raras no Brasil, incluindo substâncias presentes na Amazônia. Os autores também investigam oportunidades de mercado e a relevância da cooperação internacional e de investimentos multilaterais na exploração sustentada desses recursos.
O lançamento ocorreu durante o VII Seminário Brasileiro de Terras Raras (SBTR), realizado na última quarta-feira, dia 1º, no Rio de Janeiro. O evento foi promovido pelo Centro de Tecnologia Mineral (Cetem), com o apoio da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI) e do Ministério de Minas e Energia.
Os elementos químicos classificados como terras raras são insumos fundamentais na produção de alta tecnologia, como veículos elétricos, equipamentos de defesa, smartphones e turbinas eólicas. O Brasil, que possui cerca de 25% das reservas conhecidas no mundo, ocupa uma posição estratégica nesse mercado global crescente.
Estratégias para o Futuro
Anderson Gomes, diretor-presidente do CGEE, destacou que o livro é um guia de estratégias para transformar as terras raras do Brasil em um pilar para competitividade global. Ele afirma que a obra delineia um plano claro para que, em 2040, o Brasil alcance o potencial que poderia ter explorado nos últimos 20 anos.
Gomes enfatiza a necessidade de uma decisão sobre o papel que o Brasil deseja desempenhar: ser apenas um fornecedor de commodities, como mina de ferro e petróleo, ou desenvolver uma indústria que transforme a matéria-prima em produtos com maior valor agregado.
“Com um quarto das reservas de terras raras do planeta, o Brasil tem a capacidade de definir sua própria cadeia produtiva,” apontou. O diretor também defendeu a criação de políticas industriais específicas para as terras raras, investimentos em formação técnica e suporte a novos empreendimentos. Neste sentido, a Universidade Federal de Pernambuco está criando um curso de pós-graduação, em parceria com outras instituições, para promover a formação de mão de obra qualificada no setor.
Desenvolvimento da Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos
O CGEE espera que as discussões geradas pelo livro influenciem o debate no Senado sobre o Projeto de Lei 2780/2024, que estabelece a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos (PNMCE) e cria o Conselho Nacional para Industrialização de Minerais Críticos e Estratégicos (CIMCE), vinculado à Presidência da República. A proposta, já aprovada pela Câmara dos Deputados, aguarda tramitação no Senado.
Conforme o documento elaborado com a participação da sociedade, a Estratégia Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação 2024-2034 enfatiza a importância de desenvolver tecnologias para a exploração, beneficiamento e reciclagem de minerais estratégicos, buscando reduzir vulnerabilidades em cadeias essenciais e promover a sustentabilidade mineral.

Publicação propõe alternativas para exploração de terras raras no país
Fonte: Agencia Brasil.
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