Bolívia Completa 36 Dias de Protestos com Mais de 80 Bloqueios em Rodovias
La Paz, Bolívia – 5 de outubro de 2026 – A Bolívia atravessa um cenário de instabilidade política e social, completando hoje o 36º dia de protestos que paralisam rodovias em várias regiões do país. São mais de 80 bloqueios registrados, especialmente em torno da capital La Paz e nos estados de Cochabamba, Potosí, Oruro, Santa Cruz e Chuquisaca. As manifestações foram desencadeadas por insatisfação com a má qualidade do combustível e uma nova lei sobre terras que favorece o agronegócio em detrimento dos pequenos proprietários.
Organizações sociais bolivianas reagem com veemência à prisão de várias lideranças, considerando-as como “sequestros”. Entre os detidos está a ex-senadora Simone Quispe, do partido Movimento ao Socialismo (MAS), além de Justino Apaza, secretário da Federação de Conselhos de Bairros de La Paz, e Yesenia Varga, dirigente da Federação Carrasco, que representa camponeses de Cochabamba. As autoridades bolivianas justificam as prisões com acusações de “terrorismo” e “instigação pública para delinquir”.
A Procuradoria também havia solicitado a prisão de outros dirigentes, como Vicente Salazar, da organização Los Ponchos Rojos, e Mario Argollo, presidente da Central Operária da Bolívia (COB). No entanto, os pedidos acabaram sendo revogados pelo poder judiciário.
O governo, liderado por Rodrigo Paz, enfrenta uma crescente pressão popular que pede sua renúncia após apenas seis meses de mandato, sucedendo quase duas décadas de governos de esquerda. A mobilização envolve grupos como camponeses, indígenas e professores, que exigem mudanças significativas nas políticas do governo.
Impactos Econômicos
Os bloqueios têm gerado desabastecimento em diversas áreas, resultando na escassez de combustíveis, alimentos e medicamentos. A Administradora Boliviana de Rodovias (ABC) confirmou a magnitude da crise, com contínuas interrupções nas principais vias do país.
Clayton Cunha Filho, professor de ciência política da Universidade Federal do Ceará (UFC), destaca que a situação permanece “instável e imprevisível”, com a população, cansada da inflação e dos desabastecimentos, exigindo a saída do presidente Paz. A possibilidade de um estado de exceção para aumentar a repressão aos manifestantes também está em discussão no Congresso.
Prisões Controversas
As circunstâncias das prisões têm levantado críticas significativas. No caso de Quispe, familiares relataram que a abordagens envolveram um grupo encapuzado que invadiu sua casa sem apresentar mandados. A COB manifestou-se contra as práticas de perseguição a líderes sociais, reiterando sua resistência a qualquer retorno a métodos repressivos.
Apoio dos EUA ao Governo
As prisões e a repressão aos protestos ocorrem em meio ao apoio do secretário de Defesa dos Estados Unidos, Pete Hegseth, ao governo de Rodrigo Paz. Hegseth defendeu o governo boliviano e alertou contra o que chamou de “armadilha do antigo status quo de domínio narco-terrorista”, sugerindo uma continuidade do apoio dos EUA na luta contra o narcotráfico na região.
Especialistas apontam que tal apoio estadunidense pode encorajar as Forças Armadas da Bolívia a intensificar a repressão às manifestações.
Renúncias no Governo
No contexto dos protestos, os ministros da Defesa, Marcelo Salinas, e Educação, Beatriz García, apresentaram suas renúncias. O ministro da Defesa agora é Ernesto Justiniano, que tem histórico no combate ao narcotráfico e esteve envolvido no retorno da Administração do Controle de Drogas (DEA) aos trabalhos na Bolívia, após sua expulsão em 2008 por acusações de espionagem.
Debate Sobre o Estado de Exceção
Recentemente, o Congresso boliviano alterou legislação que limitava a aplicação do estado de exceção. O novo projeto de lei do Executivo sobre o tema está em análise na Câmara de Deputados, com possíveis implicações para a maneira como a governança e a repressão a protestos podem se desdobrar nos próximos dias.
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Bolívia prende líderes de protestos em meio a respaldo militar dos EUA
Fonte: Agencia Brasil.
Internacional