Brasil Se Une a 29 Países na Criação da Organização Mundial de Cooperação em Inteligência Artificial
O Brasil integra um grupo de 29 países que oficializaram a criação da Organização Mundial de Cooperação em Inteligência Artificial (Waico), instituição lançada em julho de 2023 com sede em Xangai, na China. O principal objetivo da Waico é estabelecer uma governança global para a Inteligência Artificial (IA) por meio de modelos open source, possibilitando que empresas e organizações tenham acesso à tecnologia.
A Iniciativa Chinesa e a Competição com os EUA
A Waico surge como uma alternativa ao projeto dos Estados Unidos, denominado Pax Silica, que visa unificar aliados confiáveis da Casa Branca para controlar cadeias de suprimento de semicondutores, minerais críticos e energia. Especialistas em Inteligência Artificial ouvidos pela Agência Brasil indicam que a participação na Waico oferece ao Brasil uma chance de desenvolver sua soberania digital. Para isso, o país precisará “fazer o dever de casa”, segundo o professor Sérgio Amadeu da Silveira, da Universidade Federal do ABC (UFABC).
Brasil como Potência em Pesquisa
Amadeu destaca que o Brasil possui um potencial significativo para liderar no campo da IA, graças a seus importantes centros de pesquisa universitária. “O Brasil pode encontrar um caminho de desenvolvimento que seja mais autônomo e independente”, argumenta. Entretanto, ele alerta que, se o Brasil não construir sua própria infraestrutura crítica em IA e não garantir a soberania sobre seus dados, a cooperação com a China não será plenamente eficaz.
Um exemplo citado pelo professor ilustra a situação atual: se recebesse R$ 10 milhões para projetos de IA, cerca de R$ 5 milhões seriam direcionados para serviços de armazenamento em nuvem de gigantes da tecnologia, como Amazon e Huawei.
A Visão de Um Ator Chave
Ettore Arpini, especialista em governança de IA e fundador da organização Plures, também vê potencial no Brasil para ser um ator influente na geopolítica da IA. Ele afirma que o país pode transitar entre as abordagens chinesas e ocidentais. Arpini enfatiza que a IA deve ser vista como uma vantagem geopolítica e uma alavanca para a prosperidade do povo brasileiro.
O governo brasileiro tem reiterado que o país não deve depender de um único modelo, seja ele chinês ou ocidental. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defende um diálogo aberto com todas as iniciativas que promovam a soberania digital do Brasil. Nos fóruns multilaterais, ele salienta que a IA não deve se tornar um privilégio de poucos países.
Perspectivas Futuras
No evento de lançamento da Waico, António Guterres, secretário-geral da ONU, ressaltou que a IA representa uma grande oportunidade e, ao mesmo tempo, um risco considerável para a humanidade. Guterres defendeu que a tecnologia deve ser moldada por toda a humanidade e não apenas por um grupo seleto de países ou empresas.
A criação da Waico contrasta com o modelo promovido pelos EUA, que envolve um controle rigoroso sobre recursos cruciais para a operação da IA. O subsecretário de Estado dos EUA, Jacob Helberg, expressou em artigo publicado que a soberania digital defendida por diversos países, incluindo o Brasil, poderia levar a uma “mediocridade sincronizada”, onde nações lutam para manter suas próprias infraestruturas obsoletas.
Com a criação da Waico, o Brasil se coloca em uma posição estratégica no cenário global da Inteligência Artificial, ponderando alternativas que busquem desenvolver soberania digital e acesso equitativo às tecnologias emergentes.
Brasil deve aproveitar aliança com China para soberania digital em IA
Fonte: Agencia Brasil.
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