Celular proibido: alunos do Rio melhoram desempenho e socializam

EducaçãoCelular proibido: alunos do Rio melhoram desempenho e socializam

Proibição de Celulares nas Escolas do Rio: A Nova Realidade Educacional

Rio de Janeiro (RJ), 27/08/2025 – A relação dos jovens com os celulares nas escolas do Rio de Janeiro passou por uma significativa transformação desde a implementação da proibição do uso de dispositivos móveis no ambiente escolar no início de 2024. A medida, promovida pela prefeitura e que se alinha a uma nova lei federal, visa reduzir as distrações e melhorar o aprendizado dos alunos.

A Realidade Antes da Proibição

Priscila Henriques Lopes da Silva, de 14 anos, descreve seu vício em celular: “Dava vontade de ficar mexendo o tempo todo.” Sua amiga, Sophia Magalhães de Lima, também de 14, reconhece que essa vontade diminuiu e afirma que “não é necessário ficar mexendo no celular para se divertir.” Essa mudança de perspectiva é testemunho das consequências da nova regra. Segundo o estudante Enzo Sabino Silva Cascardo, de 15 anos, as aulas eram frequentemente interrompidas por jogos e redes sociais, deixando muitos alunos desatentos e afetando o clima escolar.

Contribuições da Proibição

A resistência inicial à proibição foi notável, com alguns alunos expressando descontentamento. No entanto, a realidade nas salas de aula logo se transformou. Com menos celulares, a interação entre os alunos aumentou, e o recreio se tornou novamente um espaço de brincadeiras e conversas. Professores, que enfrentavam problemas com a atenção dos alunos, notaram uma mudança positiva.

A Secretaria Municipal de Educação do Rio reportou um avanço de 25,7% em matemática e 13,5% em português entre os alunos do ensino fundamental nos primeiros meses de 2024. Os dados foram coletados a partir de um estudo realizado pelo pesquisador da Universidade de Stanford e validaram a eficácia da medida, reforçando a ideia de que a desintoxicação digital teve efeitos significativos no aprendizado.

Testemunhos da Comunidade Escolar

A diretora do Ginásio Educacional Olímpico (GEO) Reverendo Martin Luther King, Joana Posidônio Rosa, enfrentou desafios logo após a implementação da medida, mas obteve apoio fundamental de pais e responsáveis. “Recebemos relatos de famílias sobre a dificuldade de lidar com o uso excessivo de celulares em casa”, afirmou.

Os alunos, como Tauana Vitória Vidal Fonseca e Ana Julia da Silva, também compartilharam suas experiências. Tauana notou uma melhora acentuada em suas notas de matemática após a ação, enquanto Ana relatou mudanças em seu comportamento, reconhecendo que a proibição a ajudou a entender a importância de limites e respeito em situações sociais.

O Ambiente Escolar Transformado

Os professores, como Aluísio Barreto da Silva, perceberam que a proibição teve efeitos rápidos: “Após algumas semanas, a desintoxicação já produziu resultados. Eu voltei a ser o principal emissor de informações na sala.” Com os celulares guardados em uma única caixa na direção, a maioria dos alunos optou por não trazê-los mais para a escola.

Além das melhorias no desempenho escolar, o secretário Renan Ferreirinha destacou que a proibição contribuiu para um ambiente de aprendizado mais acolhedor e colaborativo, reduzindo casos de bullying e cyberbullying.

O cenário atual nas escolas do Rio de Janeiro mostra que, apesar dos desafios iniciais, a proibição dos celulares tem trazido efeitos positivos notáveis na educação e no convívio social dos alunos. A interação pessoal, crucial para o desenvolvimento social e emocional de adolescentes, parece ter se fortalecido, uma vez que eles trocam as telas por atividades coletivas, como jogos de xadrez.


Imagens: (Fotos de Tomaz Silva/Agência Brasil)

  1. Enzo Sabino Silva Cascardo durante entrevista – Foto aqui
  2. Tauana Vitória Vidal Fonseca durante entrevista – Foto aqui
  3. Diretora Joana Posidônio Rosa – Foto aqui
  4. Professor Aluízio Barreto da Silva – Foto aqui
  5. Alunos jogando xadrez durante intervalo – Foto aqui

Sem celulares, desempenho escolar e socialização melhoram no Rio

Fonte: Agencia Brasil.

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