Cuba Enfrenta Crise Energética Acentuada por Bloqueio dos EUA
Cuba completou três meses sem receber qualquer carga de combustível, uma situação alarmante que agrava o cenário energético da ilha. O bloqueio energético imposto pelos Estados Unidos, que promete sancionar países que vendam petróleo a Cuba, está em vigor desde o final de janeiro deste ano, restringindo severamente a capacidade de importação de combustíveis essenciais para o funcionamento do país.
Em coletiva de imprensa realizada em Havana, o presidente Miguel Díaz-Canel destacou a gravidade da situação, informando que a falta de energia está afetando comunidades inteiras, que chegam a ficar até 30 horas sem eletricidade. “Já se passaram mais de três meses desde que um navio-tanque entrou em nosso país, e estamos trabalhando em condições muito adversas que têm um impacto imensurável na vida de toda a nossa população,” afirmou.
Com cerca de 80% da energia gerada por termelétricas que dependem de combustíveis fósseis, o bloqueio se agrava devido às sanções também impostas ao abastecimento da Venezuela, um dos principais fornecedores de petróleo de Cuba.
Na busca por soluções, Havana iniciou conversações com representantes dos EUA, uma tentativa de dialogar sobre as diferenças bilaterais. O presidente cubano enfatizou que essas discussões devem ocorrer em um clima de igualdade e respeito, visando encontrar um caminho que sirva aos interesses de ambos os países.
Diante dessa crise, o governo cubano implementou medidas para mitigar os efeitos da escassez energética. Entre as ações estão o aumento da produção de petróleo interno, o investimento em usinas solares e a promoção do uso de veículos elétricos. “Durante o dia, geramos eletricidade utilizando petróleo bruto nacional e nossas usinas termoelétricas”, comentou Díaz-Canel, detalhando que a contribuição de fontes renováveis chega a variar entre 49% e 51% do total de energia consumida durante as horas diurnas.
Entretanto, o presidente reconheceu que, apesar dos esforços, Cuba ainda precisa de petróleo importado para manter serviços essenciais como saúde, educação e transporte. “Neste momento, dezenas de milhares de pessoas no país aguardam cirurgias que não podem ser realizadas devido à falta de energia elétrica”, lamentou.
A crise energética, segundo relatos de cubanos em Havana, é considerada uma das mais severas da história recente do país, provocando um aumento dos apagões, a elevação dos preços de produtos básicos e a redução no transporte público. As províncias do interior da ilha enfrentam as maiores dificuldades, com apagões que podem durar quase o dia inteiro.
O endurecimento do bloqueio energético foi caracterizado por uma nova Ordem Executiva assinada por Donald Trump, que classificou Cuba como uma “ameaça incomum e extraordinária” à segurança nacional dos EUA. Essa decisão impossibilitou a compra de petróleo de qualquer país que se disponha a fornecer à ilha, parte de uma estratégia mais ampla para desestabilizar o regime cubano, que desafia a hegemonia política dos EUA na América Latina há mais de seis décadas.
Atualmente, o embargo econômico contra Cuba já dura 66 anos, sendo a primeira série de medidas adotada logo após a Revolução Cubana de 1959. O impacto dessas ações continua a ser sentido, pelos cubanos que enfrentam um cenário de penúria e incertezas.

Cuba completa 3 meses sem receber combustível por bloqueio dos EUA
Fonte: Agencia Brasil.
Internacional