Aumento do Tráfico de Brasileiros para o Sudeste Asiático Preocupa Diplomacia
O Sudeste Asiático, composto por países como Tailândia, Camboja, Vietnã e Mianmar, tem se tornado um importante foco de tráfico de cidadãos brasileiros para exploração laboral. Esse fenômeno gera preocupações significativas entre as embaixadas brasileiras na região. O alerta vem do Palácio Itamaraty, sede do Ministério das Relações Exteriores (MRE), que lançou uma cartilha com orientações para a identificação de riscos e procedimentos de repatriação para cidadãos que se encontrem em situação de emergência no exterior.
A cartilha foi elaborada em colaboração com o Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) e a Defensoria Pública da União (DPU). Entre as recomendações, destaca-se a identificação de métodos comuns de recrutamento, que frequentemente ocorrem através de redes sociais com falsas promessas de emprego em call centers ou empresas de tecnologia. Os aliciadores oferecem salários atrativos, comissões por vendas e coberturas de passagens aéreas e hospedagem, o que serve como uma armadilha para os jovens brasileiros, principalmente aqueles com conhecimentos em informática.
Camboja e Mianmar, países em contextos políticos instáveis e imersos em situações de guerra civil, são considerados os destinos mais perigosos para essas modalidades de exploração. Ao chegarem a esses locais, as vítimas enfrentam longas jornadas de trabalho, privação parcial de liberdade, abusos físicos e uma coerção para participar em atividades ilegais, como fraudes online, jogos de azar e outros crimes.
A nota do MRE enfatiza que, mesmo após a possível liberação, retornos ao Brasil podem se complicar, especialmente quando as vítimas se deparam com vistos vencidos. Isso requer a obtenção de autorizações junto às autoridades migratórias locais, além de pagamento de multas por permanência irregular. Nesse contexto, o Itamaraty recomenda cautela em aceitar ofertas de trabalho que prometem ganhos elevados e contratação rápida.
Casos como o de Luckas Viana dos Santos, de 31 anos, e Phelipe de Moura Ferreira, de 26 anos, evidenciam a gravidade da situação. Os dois brasileiros conseguiram escapar de uma quadrilha de tráfico humano em Mianmar, após serem aliciados com promessas de emprego atraentes. Após ter os passaportes confiscados e serem mantidos em cativeiro, eles conseguiram fugir e receberam assistência consular em Bangkok, onde o Itamaraty atuou para sua repatriação.
Na cartilha sobre tráfico humano internacional, o MRE, MJSP e DPU esclarecem que cidadãos brasileiros fora do país devem assegurar seu retorno, em geral, com recursos próprios. A repatriação só é feita em casos excepcionais, caracterizando desvalimento, o que requer a apresentação de declaração de hipossuficiência econômica junto à DPU.
O Sudeste Asiático conta atualmente com embaixadas brasileiras em Bangkok, Phnom Penh e Yangon. A embaixada em Bangkok também presta assistência aos brasileiros no Laos, onde não há representação diplomática do Brasil.
Brasileiros que enfrentarem situações que caracterizem tráfico humano devem se dirigir pessoalmente à embaixada ou consulado mais próximo, em horário comercial, ou entrar em contato pelos números de plantão consular Discovery. Emergências cobrem crises humanitárias, conflitos armados e situações de violência, entre outras.
As informações constantes na cartilha do Itamaraty e os dados de contato das embaixadas podem ser úteis para cidadãos brasileiros que planejam viajar ou já se encontram no Sudeste Asiático.
Itamaraty alerta para falsas propostas de emprego no Sudeste Asiático
Fonte: Agencia Brasil.
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