Poluição Sonora Ameaça Comunicação dos Peixes e Saúde dos Recifes de Corais
O barulho de motores de embarcações e a movimentação de banhistas nas praias impactam a comunicação sonora entre os peixes, com riscos significativos para a alimentação, reprodução e defesa de território de diversas espécies. Essa constatação é parte de um estudo realizado por pesquisadores da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), cujos resultados foram publicados na revista científica Neotropical Ichthyology e divulgados pela Agência Bori.
Efeitos Acelerados da Atividade Humana
O estudo, liderado por Túlio Freire Xavier, do Laboratório de Pesquisa em Ictiologia e Ecologia de Recifes da UFPE, revela que “houve uma redução clara na ocorrência dos sons produzidos pelos peixes”, especialmente em áreas com maior intensidade de ruído proveniente da ação humana. O pesquisador explica que essa redução pode ser atribuída ao “mascaramento acústico”, onde os sons dos peixes são encobertos pelo barulho de barcos e motos aquáticas, ou pela alteração natural do comportamento sonoro dos peixes em resposta ao estresse sonoro.
Monitoramento em Praias Turísticas
O estudo concentrou suas análises em duas localidades turísticas no litoral de Pernambuco: as praias de Carneiros, dentro da Área de Proteção Ambiental (APA) de Guadalupe, e Tamandaré, localizada na APA Costa dos Corais. Essas locais foram escolhidas por suas dinâmicas turísticas distintas, com Carneiros apresentando um fluxo contínuo de visitantes, enquanto Tamandaré experimenta picos na alta temporada de verão.
Os pesquisadores realizaram gravações subaquáticas em pontos perto da costa e em áreas mais protegidas, onde a estrutura dos recifes atua como barreira para os sons externos. Ao longo de dez horas diárias de gravações, foram registrados cerca de 80 horas de dados acústicos, além de um censo visual que identificou entre 18 e 23 espécies de peixes, totalizando quase 1,4 mil organismos em Carneiros.
Importância dos Sons para os Peixes
Os pesquisadores identificaram nove tipos distintos de sons emitidos pelos peixes, e notaram que três desses sons deixaram de ser produzidos em áreas expostas à presença humana. Os sons são fundamentais para a comunicação entre os peixes, relacionados a comportamentos imprescindíveis como reprodução, defesa de território e alimentação, além de desempenharem um papel vital na localização de possíveis parceiros e na detecção de predadores.
Consequências para os Ecossistemas
Túlio Freire Xavier destaca a importância dos peixes para a saúde dos recifes de corais e o equilíbrio das cadeias alimentares. Os peixes recifais não apenas controlam a proliferação de algas, mas também contribuem para a manutenção da biodiversidade local. A poluição sonora, portanto, apresenta um risco não apenas para os peixes, mas para os serviços ecossistêmicos oferecidos pelos recifes, que incluem atividades econômicas essenciais para a região, como turismo e pesca artesanal.
Implicações Ampliadas
Embora o estudo tenha sido realizado em Pernambuco, os pesquisadores alertam que os impactos do tráfego náutico e outras fontes de poluição sonora não se restringem a esta região. Situações similares podem ocorrer em outros recifes brasileiros, como Abrolhos e Fernando de Noronha, sempre que houver intensa atividade de embarcações.
Necessidade de Ação
Atualmente, ainda não existem limites universalmente aceitos para a poluição sonora em ambientes marinhos. O conhecimento gerado por pesquisas como esta pode ajudar na formulação de políticas públicas para o manejo sustentável dessas regiões. Medidas simples, como organizar rotas de embarcações e limitar a velocidade em áreas sensíveis, podem mitigar esses impactos sonoros.
Com isso, o estudo ressalta que a preservação do ambiente sonoro se torna essencial não apenas para a saúde dos ecossistemas marinhos, mas também para os benefícios que eles proporcionam à sociedade.
Créditos: Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e Agência Bori
Barulho de barco e de turistas afeta comunicação de peixes, diz estudo
Fonte: Agencia Brasil.
Meio Ambiente