Professores, Pais e Parlamentares Protestam Contra Filme em Escola Infantil de SP
No último sábado (18), um ato de protesto tomou conta da Praça Roosevelt, em São Paulo, reunindo professores, pais de alunos, representantes de sindicatos e parlamentares. O foco da manifestação foi a utilização da Escola Municipal de Educação Infantil (Emei) Patrícia Galvão, mais conhecida como Pagu, como locação para a gravação do filme Pedagogia do Abandono, produzido pela Brasil Paralelo. A obra é criticada por sua suposta difamação da educação pública e do educador Paulo Freire, patrono da Educação Brasileira.
A diretora da Emei, Sandra Regina Bouças, destacou a importância de Paulo Freire nas escolas brasileiras, afirmando que suas ideias estão presentes em todo o país. Embora não tenha concedido entrevistas durante o ato, Sandra publicou uma carta em suas redes sociais expressando sua preocupação com a produção. Ela revelou que a autorização para as gravações foi concedida pela prefeitura de São Paulo sem o seu pleno conhecimento e criticou o caráter ideológico do projeto.
“Identificamos que se trata de um projeto para destruir a educação pública, bem como a imagem de Paulo Freire. Será que há, nesta proposição, uma tentativa de contribuir com as ideias de que a terceirização/privatização da Educação Infantil seria a solução para uma educação de qualidade?”, questionou Sandra em sua carta.
A professora Denise Carreira, da Faculdade de Educação da USP, também se manifestou contra a produção, argumentando que ela busca enfraquecer políticas públicas sociais e raciais, além da agenda de gênero. “Precisamos estar atentas contra esse absurdo e defender a escola democrática. A educação deve ser transformadora e baseada nos princípios de Paulo Freire”, disse.
Eduarda Lins, mãe de uma aluna da Emei, manifestou sua indignação ao perceber que o espaço público estava sendo utilizado para fins que considera obscuros. “Dói no nosso coração saber que a nossa prefeitura está autorizando isso”, afirmou, fazendo alusão à falta de transparência envolvendo a produtora.
Reação da Prefeitura
A Spcine, empresa municipal responsável por autorizar gravações em espaços públicos, informou que a autorização para a filmagem foi concedida após análise técnica. Em nota, a empresa esclareceu que o procedimento seguido foi padrão e semelhante ao adotado em outras 253 solicitações feitas até o momento em 2026. Ressaltou, ainda, que a responsabilidade pela checagem de aspectos legais, como uso de imagem e participação de menores, é dos próprios produtores.
Até o fechamento desta matéria, a Agência Brasil não recebeu retorno da produtora Brasil Paralelo.
Texto publicado no site do Governo Federal do Brasil.
SP: ato critica uso de escola pública em filme contra Paulo Freire
Fonte: Agencia Brasil.
Educação