O Secretário-Geral da ONU Conclama a Comunidade Internacional a Enfrentar a Crise no Haiti
Em uma visita ao Haiti, o secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), António Guterres, enfatizou, na última terça-feira (16), a urgência de a comunidade global prestar atenção à crise humanitária no país caribenho. Guterres classificou a situação como “a mais grave em curso no Hemisfério Ocidental e a que piora mais rapidamente”. A visita ocorreu em meio a um cenário de grave instabilidade política e violência armada.
Durante a viagem, Guterres visitou um acampamento de deslocados internos e se reuniu com uma força internacional para fortalecer o apoio logístico no combate às gangues que têm dominado diversas áreas, especialmente na capital, Porto Príncipe. Ele também se encontrou com o primeiro-ministro do Haiti, Alix Didier Fils-Aimé, e solicitou celeridade na transição política, reafirmando que os haitianos devem liderar o processo rumo à estabilidade.
Violência e Insegurança
O Haiti enfrenta uma violenta caminhada em direção à paz, marcada por conflitos entre grupos armados que controlam importantes áreas urbanas. Apesar do governo de Fils-Aimé contar com o apoio dos Estados Unidos, o país não realiza eleições desde 2016. De acordo com a ONU, a violência crescente já causou mais de 2.300 mortes e 1.100 feridos em 2023, com mulheres e crianças sendo as maiores vítimas da insegurança. O recrutamento de menores por gangues triplicou em um ano, e a violência de gênero resulta em mais de 20 ataques diários contra mulheres e meninas.
Guterres fez uma crítica contundente ao afirmar que a indiferença da comunidade internacional está diretamente ligada à insegurança vivida pela população haitiana, considerando-a “a maior desgraça” do país.
A Crise Humanitária
A situação é alarmante: cerca de 6 milhões de haitianos enfrentam insegurança alimentar, e 1,5 milhão se encontram deslocados pela violência. Com aproximadamente 12 milhões de habitantes, a realidade do Haiti é desesperadora, e Guterres destacou que a situação exige uma resposta ativa e coordenada da comunidade internacional. Em sua mensagem, ele declarou que o país não pede caridade, mas sim ação e compromisso com seus cidadãos.
Apesar das dificuldades, houve alguma esperança. Guterres mencionou que “uma virada já começou” e observou que certas áreas de Porto Príncipe estão sendo recuperadas pelo governo, sinalizando um caminho de retoma gradual. Ele elogiou o espírito resiliente da população, afirmando: “Por trás dos números, existe um povo de coragem admirável que recusa a se curvar diante da violência”.
Indiferença Internacional e Compromisso
A ajuda humanitária prestada por agências internacionais e parceiros tem alcançado quase 3 milhões de pessoas no último ano. No entanto, os esforços têm sido severamente limitados pela falta de financiamento; segundo a ONU, apenas 25% dos recursos necessários foram alcançados para o Plano de Resposta Humanitária, que exige US$ 880 milhões para 2023.
Importância Histórica e Referências Culturais
Guterres também se referiu à recente polêmica envolvendo a seleção de futebol do Haiti, que foi forçada a alterar seu uniforme durante a Copa do Mundo devido a referências históricas à luta pela independência. Ele lembrou que, em 1803, na Batalha de Vertières, o povo haitiano conquistou sua liberdade, enfatizando que “esse mesmo espírito vive hoje”.
O Haiti enfrentará o Brasil na Copa do Mundo, com o jogo marcado para sexta-feira (19), às 21h30.
Com informações da ONU News.
Guterres diz que mundo não tem direito de ignorar crise no Haiti
Fonte: Agencia Brasil.
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